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Não ignorando os seus ardis 30/30

Leitura: II COR 2:10,11 “EU TAMBÉM PERDOEI, SE É QUE TENHO PERDOADO, POR AMOR DE VÓS O FIZ NA PRESENÇA DE CRISTO;
PARA QUE NÃO SEJAMOS VENCIDOS POR SATANÁS; PORQUE NÃO IGNORAMOS OS SEUS ARDÍS.”

VII. ARDÍS DE SATANÁS PARA DESTRUIR OS SANTOS

1. A TENTAÇÃO

Satanás quer fazer com que os irmãos se estranham uns dos outros. Ele faz isso primeiramente causando um leve descontentamento ou uma frieza entre um e outro. Este descontentamento logo se transforma em um claro empecilho causando uma divisão de respeito e amor. Quando a divisão se completa Satanás logo começa a se mover entre os santos lançando ciúmes para depois maltratar e destruir um e o outro. As vezes Satanás leva anos para fazer o seu trabalho, mas é que ele, muitas vezes, opera lançando os seus ardís entre os santos.

2. AS SOLUÇÕES

1. Primar pelas qualidades cristãs do outro, não pelas fraquezas da carne

É uma tristeza reconhecer o fato de os santos, geralmente, terem uma lente espessa para focalizar defeitos e uma lente menos espessa para enxergar qualidades cristãs.

Deus não se esquece dos nossos defeitos, “Pois Ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó.” (Salmos 103:14). Assim, ele sabia da fraqueza do orgulho de Ló, todavia quando, pela inspiração, refere-se a ele no Novo Testamento, cita-o como sendo o “justo Ló” (II Ped 2:7,8). Em vez de lembrar da impaciência de Jó (Jó 3:1-26; 40:3-5) Deus fala da “paciência de Jó” (Tiago 5:11). Pensando bem, onde estaríamos se Deus pensasse mais nas nossas fraquezas do que nas qualidades que Ele mesmo nos deu? Deus sabia das fraquezas da carne de cada um de nós, mas, mesmo assim, nos amou e é continuamente fiel para conosco (I João 4:19).

Primar as qualidades cristãs de um irmão ou de uma irmã não significa esquecer que todos têm problemas na carne, mas devemos tratar os outros como queremos ser tratados (Mat. 7:12; Luc 6:31). Não gostaríamos que os outros publicassem ou pensassem em nossas fraquezas muito mais do que qualquer qualidade que talvez tenhamos. É verdade que, se procurarmos bons traços nos outros, acharemos. É verdade que os defeitos de qualquer um são mais fáceis de serem percebidos, mas isso nunca quer dizer que as boas qualidades não são existentes. Vale a pena primar pelo que é bom em vez do que é mal. É muito mais agradável e afasta a oportunidade de Satanás destruir-nos.

2. A união entre os irmãos é uma bênção para todos

Sal 133:1, “OH! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união.”

A união entre os irmãos é saudável assim como o óleo, símbolo do favor de Deus, como diz a Bíblia: “o óleo precioso que desce sobre a barba de Arão” (v.2). Os corações são guardados para não sofrerem atritos quando o óleo da união é constantemente aplicado.

O óleo brilha e a união se manifesta também. A glória de Deus é vista publicamente quando os irmãos, pela bênção de Deus, vivem em união, pois era esse o propósito de ungir com óleo os sacerdotes. A união toca e faz bem a todos as partes da vida humana como o óleo da unção cobre o sacerdote da cabeça “até à orla das suas vestes.” Como a fragrância agradável é percebida no ungir com o óleo preparado para este fim, também é agradável o espírito de união ao todos que conhecem ele.

A união é refrescante “como o orvalho de Hermom, o que desce sobre os montes de Sião” O orvalho é simbólico de bênçãos (Próv. 19:12; Isa 18:4). Com tal benção, os corações cansados deixam de levar constantes pesos para louvarem e cantarem quando têm confraternidade boa com os irmãos. As mãos do trabalhador são reforçadas e reanimadas grandiosamente quando todos de igual forma se esforçam pelo mesmo alvo. Assim como o orvalho refresca e alimenta as ervas do campo e do monte, assim, pela união, “o SENHOR ordena a bênção e a vida para sempre.” (v.3). O orvalho não espera para o homem pedir ele vir (Miqueias 5:7). Assim, a união em amor de um irmão para com o outro não espera para ser pedida. O irmão que ama corretamente não espera a ser amado primeiro (Rom. 5:6-8; I João 4:19).

A união entre irmãos é importante. De Sião, da Jerusalém, saía os sacerdotes que ministravam diante de Deus pelo povo. O povo, sem um sacerdote que agradava Deus, era um povo sem esperança de felicidade com Deus. Mas, de Jerusalém “Deus ordenava a benção e a vida” pela palavra e ministério dos profetas e sacerdotes. A união entre os irmãos em oração em obediência e em amor é fonte de bênçãos na vida dos Cristãos como Sião era fonte das bênçãos divinas no povo de Israel. Sem o amor nos relacionamento, somos nada (I Cor 13:1-3).

Quando você é tentado a deixar esfriar o seu amor por um irmão ou irmã lembre-se que o que você está perdendo é saudável para o seu espírito e é um testemunho vivo do amor de Deus para os outros e este pode então animar e refrescar a sua própria alma.

Para termos um exemplo das bênçãos provindas da união relembre-mo-nos do ambiente no jardim do Éden, antes do pecado. Imagine a paz, alegria e a saúde que reinava ali quando Adão e Eva tinham uma união de propósito em obedecer a Deus. Eles estavam seguros e guardados enquanto tiveram unânimes no mesmo objetivo. A bênção fragrante e saudável de Deus estava com eles enquanto estiveram em união e amor e não havia duvidas para com Ele. Quando entrou uma dúvida, logo veio a desobediência, o medo e a vergonha. Começou a destruição que até o dia de hoje ainda não deixou de crescer e se espalhar. Com a falta de união veio a tristeza para as pessoas envolvidas e também para muitas outras. E, pior, não somente veio emoções fortes de tristeza mas veio a maldição espiritual e o castigo físico de Deus sobre todos.

Veja também a força da bênção de Deus quando o povo de Israel andava em um mesmo espírito na batalha de Jericó (Josué 6:1-21). Observe a fraqueza do povo de Deus e a sua morte, tristeza e vergonha resultante quando deixou de haver a união de propósito entre eles na cidade de Ai (Josué 7:1-5).

Vendo os benefícios da união pela retidão e relembrando-nos dos elevados custos por não tê-la, não é melhor para sua própria alma e família guardar a união e fazer de tudo para retê-la? É ali que “o SENHOR ordena a bênção e a vida para sempre.” (Sal 133:3).

Se você tem perdido a união, seja como o povo de Deus em Ai (Josué 7:6,7), rasgue as suas vestes, deite pó sobre as suas cabeças e procure eliminar o pecado que está causando esta falta de união entre o povo de Deus ao ponto que a igreja não tenha as bênçãos saudáveis de uma perfumada e forte testemunha do Senhor.

3. Lembre-se dos mandamentos que exortam nos a amarmos uns aos outros

Quando Satanás quer colocar um empecilho entre irmãos ele opera para que os irmãos envolvidos ajam segundo o que eles realmente acham justo e certo. Há uma certa santa indignação que nos move a aborrecer o pecado até o ponto de julgarmos e maltratarmos quem teve a coragem de cometer tal ato de abominação. Nessas horas é que devemos determinar se o que estamos nos lembrando como sendo justo e certo é verdadeiramente toda a verdade ou não. Podemos estar sendo enganados para termos uma falha na memória. Pode ser que estejamos nos esquecendo de uma parte vital da verdade para equilibrarmos os sentimentos. Nessas horas é que devemos recordar quais são os mandamentos de Deus sobre o amor. É necessário nos lembrarmos que o que é verdadeiramente justo e reto nunca será contrário aos mandamentos de Deus de amar, quais são: João 15:12-17; Rom 13:8-10; Heb 13:1; I Ped 1:22; 3:8,9; I João 3:10-12,23; 4:7,11.

Se um irmão tem cometido o mal, ainda convém praticarmos o amor que leva ao perdão, se é que Deus tem agido dessa maneira conosco (Efés 4:32).

Há um empecilho entre uma irmã ou um irmão? Lembre-se dos mandamentos em vez da ofensa. Peça a graça de Deus para obedecer os mandamentos que nos levam a sermos conformes à sua imagem.

Se você acha difícil amar aos outros pelo menos tente ama-los como Deus ti amou e assim terá um testemunho de Deus e será conhecido pelo mundo que é Dele.

“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.”
(João 13:35).

4. Procure mais pontos de concordância do que pontos de discordância

I Cor 14:20, “Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento.”

Os pontos de discordância são muito mais facilmente notados pois os temos na carne. Quanto mais é vista a sujeira mais floresce a carne.

Os santos têm o Espírito Santo de Deus que os capacitam a combater a carne e até mesmo vencê-la, mas, mesmo assim, não é sempre que recorremos a Deus, para a Sua abundante graça. Então, se as nossas mentes estão treinadas para procurar pontos de concordância mais do que pontos de discordância, podemos ter menos a combater com a carne.

Os nossos irmãos e as nossas irmãs em Cristo concordam mais conosco do que discordam, e isso também em relação aos assuntos que mais valem. Os crentes da mesma igreja consentem sobre a Escritura, o inferno, o céu, Deus, Cristo, o perdão de Deus por Cristo e as nossas responsabilidades. Temos a concordância na história do homem, Satanás e do pecado e também as coisas que ainda vão acontecer no fim dos tempos.

Quantos princípios bíblicos temos em harmonia? De quantos pecados em comum fomos perdoados? Quantas fraquezas na carne temos em comum? Em muito convivemos da mesma forma e sobre o que é mais importante temos concordância. Porque então deixar o mínimo atrapalhar o muito?

5. Recorde o fato de que Deus é Deus de paz

“Abstende-vos de toda a aparência do mal. E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” I Tess 5:22,23.

“Os ímpios não tem paz, diz o SENHOR.” (Isa 48:22) e a violência cobre a boca dos perversos (Prov 10:11) então, como é que os santos praticarão a frieza uns para com os outros. Devemos lembrar-nos que a contenda, confusão, divisão, desentendimento, estranheza uns para com os outros no lar ou na igreja não vêm de Deus pois “Deus não é Deus de confusão, senão de paz.” (I Cor 14:33). É verdade que devemos desviar-nos dos que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina (Rom. 16:17) e não devemos misturar-nos com os que não obedecem a Palavra de Deus. Todavia, não devemos ter os como inimigos (II Tess 3:14,15) mas admoestá-los como irmãos. A ninguém devemos tornar mal por mal (Rom. 12:17).

Paz: ela vem de Deus; Cristo tem o nome de “Príncipe da Paz” (Isa 9:6) e ela é fruto do Espírito Santo (Gal 5:22). “Formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas.” (Rom 10:15). Se o irmão for errado em algo, admoestai-lo, tendo cuidado de nós mesmos que não caiamos pelos ardís de Satanás em outro extremo.

Vendo que a paz vem de Deus, não podemos deixar que algo venha a cortar essa paz e colocar em seu lugar a dúvida, frieza ou outro mal que leva à destruição tanto dos irmãos quanto de nós mesmos. Muitas vezes mostramos o nosso desgosto pelo erro com contendas, invejas ou sentimentos facciosos em nossos corações. De fato, tal ‘sabedoria’ não vem do alto (Tiago 3:13-18).

Temos exemplos bíblicos para instruir-nos em viver em paz tanto com os de fora (Moisés com Faraó, Êx. 5:1-3; três homens judeus diante de Nabucodonosor, Daniel 3:16-19; nós com qualquer homem, Rom. 12:20,21) quanto com os de nós (Jesus conviveu com Judas sem contendas, Lucas 22:21; Filemon com Onésimo, Filemon 10-16). Em tudo devemos ter o cuidado de perdoar por inteiro o errante pois “não ignoramos os seus ardís” (II Cor 2:10,11).

6. Seja determinado a ter uma consciência de paz para com Deus

Provérbios 16:7, “Sendo os caminhos do homem agradáveis ao SENHOR, até a seus inimigos faz que tenham paz com ele.”

Cuidando da nossa primeira responsabilidade para com Deus que é de andar segundo a Palavra de Deus (Sal 119:105; II Pedro 1:19); tendo Cristo como nosso exemplo único (Heb 12:2,3); andando em Espírito e não na carne (Gal 5:25); lembrando de fazer tudo pela fé, sem a qual ninguém pode agradar ao Senhor (Heb 11:6) podemos ser confiantes que Deus cuidará para que tenhamos paz até mesmo com nossos inimigos (exemplo disso: Apoc 3:9) (Gill, comentário de Provérbios 16:7 no Online Bible). Quanto mais, Ele fará isso, entre os nossos irmãos? Se estamos determinados a obedecermos a Deus com uma constante e completa obediência, teremos, sem dúvida, o fruto do Espírito em nossas vidas e este fruto inclui a paz (Gal 5:22). Como então, com uma obediência pura a Deus e com o fruto verdadeiro da paz que vem do Espírito, haveremos problemas de frieza entre os filhos de Deus, ou, com os que não são cristãos, seja no contexto da igreja ou na família?

Quantos santos na Bíblia, enquanto obedientes a Deus e com uma consciência de paz para com Deus, tiveram relacionamentos além daqueles que levam para o crescimento na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo? Davi procurou a paz com o Rei Saul que quis matá-lo (I Sam 24:8-10); Daniel não vivia em contenda com os presidentes opondo ele mas continuou procurando melhorar o seu relacionamento com Deus (Dan 6:10); José em Egito não guardou malícia com seus irmãos (Gên. 45:1-5); mesmo Jesus sabendo a atitude final de Judas Ele não media palavras com este mas amou-o até ao fim (João 13:1-5). Havia contendas em alguns casos, (Atos 15:38-40; Gal 2:11-17) mas não eram “contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho” (I Tim 6:5) mas eram contendas que acontecem entre irmãos sinceros, logo reconhecido o erro e nada deixado para destruir nem um nem outro (II Tim 4:11; Gal 2:9). Veja a profecia sobre Jesus que andaria com o Espírito, “Não aclamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça.” (Isa 42:2,3).

Ficando firme na leitura da Bíblia, na sua obediência e na conformidade à imagem de Cristo, longe estarão de nós os ardís de Satanás que operam para a destruição da nossa testemunha e igreja.

7. Considere bem a íntima relação que há entre você e o seu irmão na fé

Gên. 13:8, “E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos.”

É evidente que somos irmãos, filhos da mesma família: Rom 8:14-17; Efés. 3:15.

É evidente que os membros da mesma igreja são membros do mesmo corpo: I Cor 12:18-31 (v. 27); Efés 5:29,30. É natural para os membros do corpo físico morder e cortar um ao outro? É natural que o corpo espiritual faça o mesmo (I Cor 12:26)?

É evidente que todos os salvos têm o mesmo Salvador: Col 3:11. E o nosso Deus por Cristo é “de paz, como em todas as igrejas dos santos” (I Cor 14:33).

Somos peregrinos e juntos forasteiros (Heb 11:13: I Ped 2:11) caminhando para a cidade “que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Heb 11:10).

Então, sendo irmãos, do mesmo corpo, tendo o mesmo Salvador, salvos pela mesma salvação e companheiros no mesmo caminho; há realmente algo que deve esfriar o nosso amor? Pois vale lembrar que um amor frio logo leva para a divisão e logo Satanás usa esta divisão para nos destruir. É melhor considerar bem a íntima relação que há entre nós do que as diferenças que Deus tem dado a cada um.

8. Traz à memória o horror da divisão

Quando Satanás tenta alguém a pecar ele sempre tenta com nobres pensamentos (João 16:2; Atos 26:9). Isso também acontece entre os crentes. Mas, como toda e qualquer tentação, a decadência, a ruína, e a terrível destruição resultante do pecado não são apresentadas junto da tentação. Por isso convém ao crente, que é instruído na sabedoria, esforçar-se para se lembrar dos resultados do pecado antes de cair em tentação. Isso também vale para a tentação de achar defeitos nos outros irmãos ou irmãs.

Considere que o mundo conhece que somos discípulos de Cristo pelo amor que temos uns para com os outros (João 13:35). Havendo divisões, partidarismo e discordância entre os que deveriam ser conhecidos pelo amor o mundo não vai conhecer a Cristo. Imagine isto! Até mesmo os descrentes vão se armar contra a verdade que salva as suas almas do lago de fogo citando os exemplos de divergência que os próprios crentes se envolvem como motivo para não chegarem a Cristo o Salvador.

Considere que não há lugar no mundo que possa oferecer a mensagem do verdadeiro conforto, da real salvação de todos os pecados, o conhecimento de Jesus e da graça divina senão a mensagem declarada numa igreja verdadeira. Se expulsamos uns aos outros da confraternização do ajuntamento que Cristo organizou, como podemos esperar termos auxílio ou amparo em nossas vidas e nas vidas dos nossos filhos (João 6:68)?

Para ajudar a segurar a língua afiada, uma ação de frieza ou um pensamento de partidarismo contemple um pouco da amargura, da divisão, do peso e do quebrantamento que a divisão causa nos outros e em você mesmo. Há disputas e rixas suficientes na política, no município e até mesmo na família tornando desnecessário trazer isso também para a igreja. Estas lembranças ajudem-nos a viver em paz uns para com os outros, para a glória de Deus e a exaltação da salvação dos pecados que temos por Cristo.

9. Saber que procurar a paz é uma honra

Heb 12:14, “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.” “Segui a paz” quer dizer buscar com íntima intensidade; explorar impetuosamente e investigar a paz tal como o faminto procura alimentação (Brooks).

Salmo 34:14, “Aparta-te do mal, e faze o bem; procura a paz, e segue-a.” “Procura a paz” significa de correr atrás continuamente, sem parar, sem medir esforços, distância ou tempo para que o alvo seja atingido, tal como o urubu vai longe para ter a rapina (Brooks). O crente tem o mesmo dever entre todos e especialmente para com os da casa de Deus, que contém os membros da família eterna, sem cessar a procura pela paz em vez da contenda.

Nunca pense nem mesmo por um momento que aquele que primeiramente procura a paz admite culpa ou tem menos força e a maior parte a perder pois é uma honra (Prov. 20:3). Quem foi que nos buscou primeiramente quando éramos inimigos e rebeldes devido ao pecado (João 1:13; Fil. 1:6; Luc 19:10)? Os chamados por Seu nome não devem ser conforme a Sua imagem (Rom 8:29; Col 3:10,11)?

Errar é humano

Perdoar é divino

10. Andar juntos, o quanto possível, com a Palavra de Deus

Fil. 3:14-16, “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. … Mas, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra, e sintamos o mesmo.”

É uma marca de sabedoria andar o quanto possível com todos os homens, e especialmente com os da fé (Rom 12:18). Se precisamos trilhar um caminho de cem quilômetros, porquê não andarmos juntos os noventa e nove que podemos com o nosso irmão em vez de deixar que aquele quilometro que não podemos andar juntos cause a desunião de todos os cem? Se a maior parte das práticas do seu irmão são aceitáveis, porquê dividir-se com a menor parte? Se vamos nos separar com cada diferença, quando é que praticaremos a virtude de suportar-nos uns aos outros (Efés. 4:1-3)? A menor parte nunca deve causar a desunião da maior parte. Se já temos chegado a algum lugar, devemos continuar andando segundo a mesma regra e sentindo o mesmo que sentíamos anteriormente.

Nós perdemos muito, a causa de Cristo perde muito e o lado de Satanás ganha muito quando ficamos decididamente fixados a não termos paz com aquele que tem a mínima parte em desigualdade conosco.

O desejo de termos união não deve causar comprometimentos para a verdade da Bíblia em nenhuma instância. Ela deve ser sempre a nossa única regra de fé e ordem (Isa 8:20). A nossa opinião, o nosso ponto de vista, nossa preferência porém não pode ser o juiz das ações dos homens, mas só o que “assim diz o SENHOR” pode julgar (João 12:48). O amor pela Bíblia não deve fazer com que odiemos o nosso irmão que tem pontos de vista diferente dos nossos mesmo em relação a doutrina. Deus é Quem julga um e o outro. Somos responsáveis por andarmos segundo a Bíblia e provocar o irmão assim também andar (Heb 10:24), mas não somos responsáveis por julgar o nosso irmão. O Pastor cuida dessas coisas como instrumento de Deus (Heb 13:17), e Deus será o nosso juiz final.

Se mergulhássemos no estudo da Bíblia e se quiséssemos aplicar toda a Sua verdade à nossa vida, coisas pequenas e supérfluas nunca nos dividirão e se amassemos aos outros, os outros nos amarão. Que assim seja na vida dos crentes.

11. Envolva-se em auto julgamento

Quando Satanás opera os seus ardís nos crentes ele opera de tal forma que os mesmos se sentem obedecendo a Deus e não a Satanás. Por isso muitos crentes ofendem uns aos outros justificando que aquilo que estão fazendo é o que Deus quer, quando o oposto é realmente o que desagrada Ele está sendo feito (Judas 18,19). Então é necessário envolver-se em auto julgamento junto a Palavra de Deus. Nunca convém andar segundo as concupiciências ímpias dizendo: é do agrado de Deus que eu ando assim (Tiago 1:13-16).

I Cor 11:31, “Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.” Este é o fato: se estivermos ocupados cuidando-nos das faltas da nossa própria vida e andando conscientemente de acordo com a Bíblia em cada parte, não seríamos julgados pelos outros. “Não julgueis, e não sereis julgados” (Luc 6:37). Uma razão para isso é que o nosso tempo deve ser empregado ao tratamento dos nossos próprios pecados sem sobrar tempo para cuidar dos pecados do nosso irmão. Se não estamos cuidando de nós mesmos e tratamos dos outros seremos como um cego guiando outro cego (Luc 6:39).

Não há melhor remédio para salvar-nos da queda no habito de criticar os outros do que termos o costume de censurar a nós mesmos (Luc 6:42).

Se Deus tem recebido um e o outro com todas as falhas (Rom 14:3) porque não podemos fazer o mesmo (Efés 4:32)? Não devem todos os crentes comparecer ante o tribunal de Cristo (Rom 14:10)?

Procure o auxílio de Deus para te sondar pois Ele julga com um justo julgamento (Sal 139:23,24).

Que Deus nos abençoe dando-nos entendimento para que cada um de nós se ocupe em atividades que levam-nos a sermos santificados por Deus em Cristo andando para o Seu agrado em vez de satisfazermos a nós mesmos com a falta de entendimento que leva-nos a fazer comparações um aos outros (II Cor 10:12).

12. Veste-se de humildade

I Pedro 5:5, “Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” A palavra “revesti-vos” significa em grego de envolver-se, amarrar-se com algo, vestir-se (#1463, Strong’s). A humildade dever ser envolta aos nossos pensamentos dos outros, nossas emoções quando reagirmos e em nossas ações com os irmãos. A vida toda deve ser influenciada.

Toda e qualquer contenda não vem da soberba mas é uma certeza que da soberba só provém a contenda (Prov. 13:10). Se tiver somente destruição nos seus relacionamentos com os irmãos pode ficar ciente que há soberba pois ela precede a destruição e a ruína (Prov. 16:18). Para consertar tal situação é necessário a confissão do pecado da soberba, o temor de Deus e a humildade (Prov. 15:33; 18:12).

A vida cristã se mostra forte pela fé, a vida cristã é nutrida pelo amor, mas pela humildade a vida cristã se mostra formosa, pois as glórias de Cristo se revelam pela humildade.

Quando o crente se veste de humildade ele não vê razão para criar divisão para com os outros, apensas vê razão para amar pois ele vê que ele mesmo é o “príncipe dos pecadores” (I Tim 1:15) e não o outro. Foi esta atitude “que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.” (Fil. 2:6-8; João 13:5). Cristo suportou o erro do outro sabendo que a glória de Deus se manifestaria (Heb 12:1-4). A formosura do amor de Deus se manifestou em tal humildade de Cristo. Somos nós que estamos sendo feitos na Sua imagem (Rom 8:29; Col 3:10,11) e por isso é necessária a nossa humildade

A humildade não ignora que os outros tenham problemas com as suas naturezas pecaminosas mas a humildade vê a realidade da sua própria natureza pecaminosa com mais afinidade que a dos outros (Fil. 2:3, “cada um considere os outros superiores a si mesmo.”). Se somos envoltos e influenciados com a humildade não faremos nada com contenda ou vanglória.

Nunca devemos amar uns aos outros a ponto de pensar que devemo-nos esquecer de doutrina pois este foi o erro da igreja em Tiatira (Apoc 2:18-29); também não podemos nos lembrar da doutrina a ponto de nos esquecermos de amar verdadeiramente pois este foi o erro da igreja em Éfeso (Apoc 2:1-7). A humildade nos ensinará que deve haver um equilíbrio entre um e outro ponto para que sejamos pobres e abatidos de espírito e tementes à palavra do Senhor (Isa 66:2).

Published inNão ignorando os seus ardisVida cristã

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