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Encontrando o Sábado Novamente

Meu personal chama de “tempo de descanso” aqueles intervalos que ele coloca depois de uma série de exercícios. Você faz 15 repetições, depois descansa 30 segundos ou mais antes da próxima série. Seus músculos, de acordo com meu personal, precisam aproximadamente 1 minuto para recuperar entre séries. Quanto mais intensa a série, mais tempo de descanso precisa.

Ultra-atletas, aqueles que percorrem 160 quilômetros ou aguentam uma competição Ironman Triathlon (nadando, correndo e pedalando), precisam de ainda mais tempo de recuperação. O corpo precisa recuperar dos danos causados durante o treino ou competição. Os músculos precisam de tempo para recuperar-se.

Revistas de negócios estão destacando artigos que encorajam funcionários conectados a se desconectarem por um dia da semana. Desligam os celulares; desligam os computadores; encontram um lugar quieto e deixam sua alma e mente se recuperar. Os especialistas estão descobrindo que precisamos de tempo livre. Agora, há acampamentos de detox digital, onde se pode aprender a sobreviver sem os seus eletrônicos. Quando se chega à festa, os anfitriões estendem uma cesta onde você e todos os outros convidados deixam os celulares, para a festa continuar sem interrupção das mensagens, e-mails e internet.

Todo mundo concorda. Seres humanos não podem viver – com certeza não podemos viver bem – se estiverem “ligados” 24 horas por dia, 7 dias por semana. Precisamos de tempo para recuperar. Precisamos de uma pausa.

Precisamos de um shabat* (descanso).

Quando eu era jovem, Domingo era um teste de resistência. Eu cresci em um lar conservador batista e eu cria que o Domingo foi feito para frequentar a Igreja. Íamos à Escola Dominical e ao culto de Domingo de manhã. De Domingo à noite, tivemos grupos de treinamento e culto de louvor. Depois, claro, porque somos batistas, saímos para comer. Na segunda de manhã, estávamos exaustos.

Isso não é o shabat.

Sim, o shabat é para louvor, mas não da maneira que muitos de nós experimentamos. A maioria de nós pensa de louvor como um evento, algo que frequentamos. Louvor, no sentido bíblico, é algo que vivenciamos. Louvor é um encontro com o Divino que define a realidade para o adorador. Shabat é um momento que, cientes da grandeza e bondade de Deus, permitimos que nossas vidas sejam alinhadas com Seus propósitos. Nossas prioridades são reorganizadas, nossos valores são repensados e nossos destinos são redefinidos.

Louvor começa no shabat, mas o shabat não termina aí. O shabat convida à reflexão. Vivemos vidas aceleradas. Saltamos de momento em momento, de evento para evento, sem aproveitar o tempo para entender por completo o que vivenciamos. A vida nos aproxima com tal velocidade que fazemos as coisas somente por fazer. Não sabemos se são coisas boas ou não. Não sabemos se são necessárias ou não. Simplesmente as fazemos porque é a próxima tarefa na nossa lista de tarefas.

O shabat nos dá tempo para recuperar o fôlego e pensar o que estamos fazendo com as nossas vidas. O que nós fazemos importa? Se não, precisamos realmente fazer essas coisas? Se não estamos fazendo as obras certas, então, o que deveríamos fazer? Sem o Shabat, nos encontramos prosseguindo com tremenda eficiência em uma direção que não queremos ir.

Uma das grandes ironias da vida é que temos tantas escolhas para fazer, mas apenas um punhado de escolhas realmente importam. Pergunte a qualquer um que recebeu diagnóstico de doença terminal. Eles podem te dizer. A maioria das coisas que nos esforçamos para conquistar na vida não vale a pena. O shabat permite-nos encontrar o tempo para focar e redobrar nosso foco naquelas coisas que realmente importam. Amando seu cônjuge. Curtindo tempo com bons amigos. O shabat te disponibiliza o tempo e espaço para lembrar o que importa.

Frequentemente esquecemos que o shabat é dadiva de Deus para nós. Deus nos deu um dia na semana para desfrutarmos dEle e uns aos outros. O shabat é um dia em que podemos levar um tempo para assistir o sol nascer ou se pôr. Podemos contar as estrelas até esgotarmos os números. Podemos gastar o tempo falando com nosso cônjuge ou nossos filhos, sabendo que não precisamos apressar a conversa devido a compromissos em seguida. Não temos que estar em outro lugar ou fazer outra coisa, senão sentar e estar presente para o outro.

O shabat devolve-nos a alegria. Alegria é diferente da felicidade. Felicidade é momentânea. Ora está aqui e, em breve, se foi. Alegria é diferente. Alegria permanece. Alegria é o princípio fundamental de que o mundo é belo e, por baixo de tudo, é bom. Alegria é a confiança que no final, Deus terminará – e terminará bem – aquilo que Ele começou. O shabat nos dá tempo de saborear a vida.

A semana entre Natal e Ano Novo normalmente é bastante calma. Ninguém têm muitos planos nesses dias. Muitos de nós viajamos para visitar família, mas até com isso é normal ter dias preguiçosos.

Não os desperdicem.

Use-os com sabedoria. Use-os “religiosamente”. Tome o tempo para pensar no ano passado. O que funcionou? Pense de 2018. O que deseja que aconteça no ano que se aproxima. Quais passos precisará tomar para garantir a realização dos seus desejos? O que você precisa deixar para trás em 2017? O que quer alcançar em 2018?

São essas as perguntas que precisamos contemplar para dar sentido as nossas vidas? Eles são as perguntas que abrangem um shabat bem gasto. São esses os momentos que dão significado e propósito às nossas vidas. A maioria descobre tanta utilidade nas experiências sabáticas que acabam fazendo elas toda semana.

Então, vá em frente. Tire um dia de folga. Sente-se e faça nada. Deixe sua mente vaguear. Permita sua alma encontrar direção. Exale. Recupere. Louve. Maravilhe-se. Descanse.

O próprio Deus acha isso uma boa ideia.

Nota do tradutor: A palavra hebraica ‘shabat’ significa ‘descanso’ e designa o dia da cessação do trabalho.

Fonte: patheos.com

Tradução: David Gardner
Revisão: Thiago Dutra

Published inVida cristã

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