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A caridade é mais excelente do que os dons extraordinários do espírito

O amor bíblico e seus frutos – Exposição de 1 Coríntios 13 – Capítulo 2

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.”

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.” I Coríntios 13: 1-2

Nestes versos, vemos a comparação entre o amor e os dons miraculosos. A era apostólica foi uma era de milagres. A igreja em Corinto foi especialmente abençoada com estes dons. Entretanto, a doutrina ensinada em nosso texto, pelo apóstolo inspirado, é que a influência ordinária do Espírito Santo, operando a graça da caridade no coração, é uma benção mais excelente do que qualquer outro dom extraordinário do Espírito.

I. A DISTINÇÃO ENTRE OS DONS.

Uma maneira de distinguirmos as várias operações do Espírito Santo é dividi-las entre comum e salvadora. Tanto Cristãos quanto ímpios recebem alguns destes dons, tais como: medida de conhecimento, convicção de pecado, gratidão, tristeza, e assim por diante. Estes são chamados de dons comuns. Mas há outros dons especiais, que fazem parte da graça salvadora, que só os remidos por Deus recebem, tais como: fé salvadora, amor, paz, e assim por diante.

As operações do Espírito Santo também podem ser divididas entre ordinária e extraordinária. Os dons extraordinários, tais como línguas, milagres, profecia, eram excepcionais, ou seja, somente concedido em ocasiões extraordinárias. A principal função deles era revelar a mente de Deus aos homens, até que Palavra revelada fosse entregue. Agora que a Palavra de Deus escrita está completa, estes dons extraordinários cessaram. Por outro lado, os dons ordinários, assim como o amor, são concedidos a todo Cristão, em todas as épocas, para a edificação em santidade, e também para conforto deles.

É de vital importância entendermos que estas duas divisões diferem uma da outra. A graça ordinária é exclusiva dos santos de Deus; ela não deve ser confundida com os dons ordinários, concedidos também aos incrédulos. Entretanto, os dons extraordinários eram comuns, ou seja, foram concedidos tanto aos convertidos quanto aos ímpios, e em muitas ocasiões. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?

E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. (Mateus 7: 22-23).

II. A GRANDEZA DOS DONS EXTRAORDINÁRIOS.

É um privilégio ouvir a Palavra de Deus, mas é um privilégio ainda maior proclamá-la, como fizeram os profetas. Testemunhar milagres é muito bom, mas fazer milagres é ainda melhor. Aqueles que eram dotados de tais dons, tinham a honra de se parecerem com Cristo em Seu ofício profético. Por duas vezes Daniel é chamado de “mui amado” e, portanto, o recipiente da visão profética (9: 23; 10: 11). Dario, o rei Persa, notou o espírito excelente que havia em Daniel (Daniel 6: 3), o qual certamente envolvia o espírito de profecia e inspiração. Este espírito é definido como excelente, indicando assim a qualidade especial destes dons. Moisés foi invejado por seus dons extraordinários. João teria adorado ao anjo que lhe trouxe a revelação na ilha de Patmos, se este lhe houvesse permitido. Que ninguém despreze a importância e o privilégio destes dons extraordinários!

III. A EXTRAORDINÁRIA EXCELÊNCIA DOS DONS EXTRAORDINÁRIOS.

A despeito da grandeza dos dons extraordinários, a influência ordinária do Espírito Santo, operando a graça da caridade no coração, é sem duvida um privilégio de muito maior excelência. Tendo em vista, como vimos anteriormente, que o amor é a soma de toda a graça salvadora no coração, então ele é maior do que qualquer dom extraordinário. Vamos assinalar algumas razões para isso.

Os dons ou graças ordinárias são qualidades que Deus implanta dentro da natureza de cada pessoa. Entretanto, este não é o caso dos dons extraordinários. Eles não melhoram a natureza básica do homem. A fonte do poder para realização de milagres não se encontra dentro do próprio homem. Os dons extraordinários são como uma jóia, a qual adorna o corpo de forma externa, mas as verdadeiras graças entram em nossa própria alma, transformando-a em uma jóia preciosa.

O Espírito Santo comunica-se a si mesmo mais pelas graças ordinárias do que pelos dons extraordinários.

No último caso, o possuidor dos dons pode operar grandes sinais externos, e ainda assim permanecer internamente vazio do Espírito de Deus. Mas com as graças, a terceira Pessoa da Trindade é compartilhada em santidade de natureza, ou santificação. Com a graça ordinária, os homens se tornam participantes da natureza divina (II Pedro 1: 4).

Na redenção, a imagem de Deus é restaurada no homem, não pelos dons extraordinários, mas através das graças ordinárias. A semelhança que Adão perdeu era de ordem moral. Ela não pode ser restaurada de nenhuma outra forma a não ser moralmente, isto é, tornando-se santa, adquirindo a mente de Cristo. A despeito de inúmeros milagres que alguém possa operar, sem santidade, ele não é semelhante a Deus na área que realmente importa.

As graças ordinárias são mais privilegiadas, mais preciosas, e mais raras, pois somente são concedidas aos filhos de Deus. Entretanto, os dons extraordinários frequentemente são concedidos aos não regenerados. Balaão tinha o dom da profecia, mas era um homem ímpio, assim como Saul, e Judas Iscariotes, que podia curar os doentes, purificar os leprosos, ressuscitar os mortos, e até expulsar demônios (Mateus 10: 1-8). A operação de milagres é um dom que Deus dá algumas vezes para aqueles que Ele odeia, mas as graças são concedidas somente aos Seus amados.

As graças ordinárias são infinitamente mais excelentes por causa dos seus resultados. A vida eterna é prometida para aqueles que gozam dessas graças, mas não para aqueles que eventualmente tenham dons extraordinários. Por isso, nosso Senhor ensinou o seguinte aos setenta discípulos: Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus (Lucas 10: 20). As graças superam os dons porque tem a vida eterna anexadas a elas.

As graças ordinárias proporcionam um grau superior de felicidade. A maior felicidade do homem consiste na santidade. Se ele possui santidade, então ele pode ser feliz, independente de qualquer outra coisa. Mas nenhuma outra possessão ou privilégio, a exemplo dos dons extraordinários, poderão fazê-lo feliz sem isso.

A obra ordinária da santificação, realizada pelo Espírito Santo, é o objetivo final de todos os dons extraordinários. Os dons extraordinários foram concedidos com o propósito de propagar o evangelho, isto é, fazer santos, edificar os santos, e também fazê-los crescer em santidade. E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, estes dons extraordinários foram concedidos com este fim: Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, cuja edificação é em amor (Efésios 4: 11, 12, 16). Desde que o fim é mais excelente do que os meios, a santidade é muito melhor do que possuir os dons.

Os dons extraordinários existem isoladamente, sem as graças verdadeiras, e somente agravarão a condenação daqueles que os possuem. Alguns dos apóstatas, descritos em Hebreus capítulo 6, evidentemente possuíam estes dons. Eles uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo.

E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro. Sendo assim, a condenação deles será maior, e sua sentença mais severa, por causa desses privilégios que um dia desfrutaram, e mais tarde foram creditados ao diabo.

As graças ordinárias são melhores do que os dons extraordinários porque estas são mais duráveis.

O verso 8 declara: O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá.

Este fato nos leva as seguintes considerações:

– Desde que estas graças são eternas, elas são as maiores bênçãos demonstradas por Deus sobre um mortal neste mundo. E aconteceu que, dizendo ele estas coisas, uma mulher dentre a multidão, levantando a voz, lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste. Mas ele disse: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam (Lucas 11: 27-28).

– Os dons ordinários e extraordinários não devem ser confundidos. O último não é um sinal seguro da presença da graça salvadora. Visões extraordinárias não são provas de graça. A única maneira de uma pessoa saber se a graça esta presente em sua vida, é pelo discernimento e exercício do amor Cristão, o qual é a soma de todas as outras virtudes no coração. Sem esta marca, os outros dons não provam absolutamente nada.

– Se a graça salvadora é mais excelente do que a operação de milagres, então não há base para assumirmos, como fazem alguns, que nos últimos dias os sinais extraordinários retornarão. A causa de Deus aqui na terra pode gozar muito bem de seus dias mais prósperos sem a presença daqueles dons. Não temos razão para esperar que a revelação escrita de Deus seja acrescida de novas profecias. As palavras finais do Apocalipse de João (22: 18-21) falam exatamente o oposto.

– Aqueles que possuem as graças ordinárias tem motivos de sobra para serem agradecidos a Deus. Não devemos subestimar o tremendo privilégio de sermos semelhantes a Cristo, e ter o seu amor em nossos corações. O que mais Deus poderia ter feito por nós? Portanto, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade! (II Pedro 3: 11). A nossa constante oração deveria ser: Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito? (Salmo 116: 12). Vamos nos lembrar dos grandes privilégios que temos, e humildemente caminhar à sombra do Seu amor. Este amor clama pelo nosso melhor e por tudo o que somos e temos.

– Que todos aqueles que estão perdidos no pecado não deixem de buscar as bênçãos da graça de Deus. Considere a presente miséria de suas afeições pelo vazio que este mundo oferece. Deus criou você com a capacidade de conhecê-Lo e desfrutar do Seu amor. Multidões já se converteram. Por que você não vem para Deus, através de Cristo, e descobre as riquezas de Sua graça?

Published inO amor bíblico e seus frutosVida cristã