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Pergunta 30 – O que é a chamada eficaz?

30. Pergunta. O que é a chamada eficaz?

Resposta. A chamada eficaz é a obra do Espírito de Deus (1), pela qual, Ele nos convence de nosso pecado e miséria (2), ilumina nossa mente no conhecimento de Cristo (3), renova nossa vontade (4), nos persuade e capacita a abraçar Jesus Cristo oferecido gratuitamente a nós no Evangelho (5).

30.1. A chamada eficaz é a obra do Espírito de Deus

II Timóteo 1:9. “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação.”; II Tessalonicenses 2.13; Atos 2.38,39

A Vida Espiritual Tem Que Vir de Deus

Os eleitos são como todos os outros também (Efés. 2:1-3). Portanto os eleitos, como qualquer incrédulo, são cegos no entendimento (I Cor. 1:18; 2:14; II Cor. 4:4 Efés. 4:18) não podendo ver o reino de Deus (João 3:3); surdos de coração, não podendo ouvir a Palavra de Deus (João 8:43,47); adormecidos no conhecimento (Efés. 5:14), não podendo ser atenciosos a vinda de Cristo (Mat. 25:2,3; Isaías 56:8-12). Portanto os eleitos, antes de serem salvos, são espiritualmente mortos (Efés. 2:1,5; Col. 2:13; Apoc 3:1) não podendo reagir pelas suas próprias forças à mensagem da vida. Se qualquer homem pecador chegará à fé verdadeira, este precisará de uma obra de Deus na sua vida. Essa obra divina é feita pela graça de Deus através de uma operação do Espírito Santo.

O Espírito Santo claramente opera nos corações dos homens mesmo que essas obras não sejam sempre nitidamente observadas por todos os homens. Essas obras do Espírito Santo são o despertar, iluminação, a convicção e a regeneração.

30.2 A chamada eficaz é a obra do Espírito de Deus, pela qual, Ele nos convence de nosso pecado e miséria

Atos 2:37. “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, varões e irmãos?”

O Convencimento do Pecador É Pela Obra do Espírito Santo em Despertar o Pecador

“No despertar do pecador, o Espírito de Deus impressiona a mente sobre a realidade da eternidade e do juízo. O pecador torna-se consciente de que está perigosamente sob a ira de Deus. Os assuntos espirituais tornam-se importantes” (Crisp, p. 45).

Por causa da obra do Espírito Santo em despertar não ser sinônimo da regeneração o despertar nem sempre resulta na salvação da alma. A impressão na mente do pecador que ele está sob a ira de Deus pode ser somente momentânea como nos exemplos do jovem rico (Mar 10:17-22) e do poderoso Félix (Atos 24:25-26) e simbolizada na ocasião da sementeira sobre pedregais e entre espinhos na parábola do semeador (Mar 4:16-19).

O despertar do Espírito Santo pode trazer à salvação quando outras obras de Deus estão presentes. Pelo filho pródigo tornar a si e entender a sua situação, entendemos a presença da obra eficaz do despertar do Espírito Santo (Luc. 15:17-24). Uns exemplos que ensinam que o despertar pode trazer à salvação são: os gentios em Antioquia da Písidia (Atos 13:42-48) e os verdadeiros salvos (Efés. 2:5). Por Abraão praticar a adoração dos Deuses falsos e depois veio a seguir o verdadeiro Deus entendemos que ele foi despertado da sua condição velha (Gên. 12:1-3; Josué 24:15; Isaías 51:1,2). O despertar do Espírito Santo é claramente entendido pela visão de Ezequiel do vale dos ossos secos (Ezequiel 37:5-10).

Em todos estes casos citados, se foi uma obra eficaz ou não, os pecadores foram levados a serem conscientes da realidade terrível de uma eternidade sem Cristo. O ensinar de Cristo ao coração é obra do Espírito Santo (João 14:26;15:26). Chamamos essa consciência de uma realidade de juízo, a obra do despertamento.

Se você conhece essa obra de despertar no seu coração, peça que Deus seja misericordioso em trazer você a confiar em Cristo e que te salve por Seu poder.

Se você já foi salvo, lembrai-te da misericórdia de Deus em vivificar-te pela Sua graça. Louvai-O com uma vida santa de obediência da Palavra de Deus em amor pela salvação. Seja uma testemunha limpa aos outros que ainda estão dormindo (Efés. 5:14).

30.3 A chamada eficaz é a obra do Espírito de Deus (1), pela qual, Ele nos convence de nosso pecado e miséria (2), Ele ilumina nossa mente no conhecimento de Cristo.

Atos 26:18. “Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus.”

A Iluminação

O pecado prende nos laços do diabo (II Tim 2:26; Heb 3:13) e o coração do homem é depravado (Jer. 17:9; Prov. 28:26). Por essas razões o pecador precisa de ser iluminado ao perigo do pecado e da gravidade de uma eternidade sem a salvação. É somente o Espírito Santo que provoca essa iluminação e nunca é produzido pelos homens por mais sinceros ou bem intencionados que sejam. Os homens não elegidos em geral podem receber um grau de iluminação ao ponto de serem movidos a temer as conseqüências eternas do pecado (Atos 26:28; Heb 6:4-6; 10:20, 32, 33). Todavia são somente os elegidos que são “renovados para o conhecimento” (Col. 3:10; Hebreus 10:38,39) ao ponto de serem capacitados a crerem no Evangelho (João 10:27; Atos 2:42, “de bom grado receberam a palavra”; 13:48).

A Convicção

O despertar e a iluminação revelam a realidade e o perigo do pecado, mas a convicção aponta a causa do perigo. Quando assim o Espírito Santo opera nos Seus, o homem é convencido do seu pecado, a justiça de Deus e o juízo de Deus sobre toda a impiedade (João 16:8-11).

Pela obra eficaz e completa do Espírito Santo na convicção, os por ela atingidos, reconhecem as suas culpas (Sal. 51:4; Luc. 15:18; 18:9-14; Atos 2:37, “compungiram-se em seus corações” no grego #2660 furar completamente; agitar violentamente, Strong’s; Atos 16:29); deixam o seu egoísmo (Isaías 64:6; Luc. 18:9-14) e podem ser guiados a crerem em Cristo somente (II Cor. 7:10; Mar 9:24). Pode ser que os atingidos pela convicção não venham à salvação (Atos 26:28; Mat. 19:21,22). Pode ser que essa obra da convicção não seja agradável (Romanos 8:15), mas é necessária (Mat. 5:3-6).

30.4 A chamada eficaz é a obra do Espírito de Deus (1), pela qual, Ele nos convence de nosso pecado e miséria (2), ilumina nossa mente no conhecimento de Cristo (3), renova nossa vontade (4)

Ezequiel 36:26. “E vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei o coração de pedra da vossa carne, e vos darei um coração de carne.”

A Regeneração

A regeneração é absolutamente necessária para a salvação (João 3:3,5). A mudança radical na alma do homem que capacita ele a entrar no reino de Deus é o que chamamos a regeneração.

A Origem da Regeneração

A regeneração não é da vontade humana (João 1:12,13; Romanos 9:16). É verdade que o homem, pela força de sua vontade, pode se reformar, mascarando assim as evidências da sua natureza pecaminosa. Pode ser também que o homem reprima as manifestações visíveis do seu coração ímpio. Todavia o homem não tem capacidade de dar início à uma natureza radicalmente diferente daquela que lhe é própria (Romanos 8:6-8). Se não tiver uma renovação da própria natureza, da qual é fonte de todas as ações morais (Prov. 4:23), o homem, mesmo se fazendo ‘bom’ diante de si e diante dos homens, não pode escolher santidade nem desejar a salvação verdadeira (Jer. 13:23, “pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal.”; João 5:40, “não quereis vir a mim para terdes vida”; I Cor. 2:14, “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus … não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente”; João 6:63, “a carne para nada aproveita”). Tal escolha seria contra a sua própria natureza pecaminosa. A regeneração é pela vontade de Deus, não do homem (Fil. 2:13).

Devemos enfatizar que o homem, no estado natural, nem pode cooperar positivamente com qualquer influência divina que possa ser aplicada por meio da verdade antes que a nova natureza seja nascida de Deus. O homem natural, que sempre procura benefícios próprios pela religião, verdadeiramente não vê em Deus, ou na genuína santidade, nada desejável. Mesmo que um homem religioso buscasse a santidade e a verdade divina, tal busca não viria de um desejo sincero para glorificar somente a Deus (Romanos 1:18, “detêm a verdade em injustiça”; 1:25, “honraram e serviram mais a criatura do que o Criador”; 3:18, “Não há temor de Deus diante de seus olhos.”) Qualquer busca de aparência de santidade seria para agradar-se a si mesmo em uma maneira ou outra (I João 2:16, “tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, … dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.”; João 3:19, “os homens amaram mais as trevas do que a luz”; Mat. 23:37, “quantas vezes que eu ajuntar os teus filhos … e tu não quiseste!”). Por causa da impiedade da natureza dele, não pode ser esperado que o homem cooperasse para dar início à santidade verdadeira no seu coração.

30.5. A chamada eficaz é a obra do Espírito de Deus (1), pela qual, Ele nos convence de nosso pecado e miséria (2), ilumina nossa mente no conhecimento de Cristo (3), renova nossa vontade (4), Ele nos persuade e capacita a abraçar Jesus Cristo oferecido gratuitamente a nós no Evangelho.

João 6:44-45. “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não trouxer … Todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim.”

Há os que dizem que uma apresentação favorável de várias verdades pode causar a nova natureza no homem. Pensam alguns que os fatos importantes da Bíblia podem ser mecanicamente impressionados na mente do homem ao ponto de comovê-lo que o seu coração seja feito novo. Todavia, a vontade do homem, expressada pelas decisões da mente, não é independente do seu próprio coração. Do coração vem as ações e não são as ações que modificam o coração (Mat. 15:19; Mar 7:21-23; Gên. 6:5; Prov. 4:23; Romanos 3:10-18; Gal. 5:19-21). Não mudamos o coração pela mente mas mudamos a mente por termos um coração novo. Mudando a natureza do homem é o único meio para o homem ter uma disposição nova para amar a verdade (Ezequiel 36:26; João 3:3, “aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus.”)

Quando existe a obra do Espírito Santo da regeneração, existe uma nova natureza que tanto deseja quanto pode ser santa e obediente a Deus por Jesus Cristo (Tito 3:5-7; Fil. 4:13; João 3:3-5) – Bancroft, p. 227. Essa mudança radical na alma do homem que capacita ele a entrar no reino de Deus é o que chamamos a regeneração e ela é do Espírito Santo somente. Você a tem?

O Fruto da Regeneração

O Espírito Santo faz uma nova disposição no coração do homem. Até este momento, o homem é passivo.

Com a nova disposição no coração o homem novo torna a ser ativo. A nova natureza nascida pela obra do Espírito Santo evidencia-se. Chamamos as evidências dessa natureza o “fruto” da regeneração. O fruto da regeneração é fé (I João 5:4,5; Heb 12:2; I Pedro 1:3), arrependimento (II Tim 2:25), amor a Deus (I João 4:19), amor aos outros (I João 4:7; 3:14) e a perseverança (Fil. 1:6; I João 5:4,5).

Observação

Nem todos os que são despertados, iluminados ou trazidos à convicção vêm eficazmente a Cristo (Mat. 20:16, “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”; Atos 7:51, “vós sempre resistis ao Espírito Santo”; João 10:26, “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas”). Todavia, todos os que são regenerados vêm eficazmente a Cristo para todo o sempre (João 10:27-29, “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem”; Fil. 1:6, “aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo”; I Tess 5:24, “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará”). Os eleitos passam pelas outras obras de despertar, a iluminação e a convicção e além da regeneração.

Pensando nessas verdades, ninguém deve estar satisfeito que está convicto da sua condição pecaminosas ou que está despertado ao ponto de considerar o juízo eterno. Tudo isso não é salvação, mesmo que possa estar envolvido no processo de salvação de todos os salvos. O que é necessário para a salvação é a regeneração. Portanto, se precisar uma nova natureza que deseja e é capacitada a servir o Senhor, clame a Deus que Ele tenha misericórdia das suas almas e que as modifiquem ao ponto que manifestam o arrependimento dos pecados e a fé em Cristo!

Compilado pelo Pastor Calvin Gardner
Correção gramatical: Edson Elias Basílio, 04/2008 e
Robson Alves de Lima 11/2011 Fonte: www.PalavraPrudente.com.br

Published inBíbliaCatecismo de C. H. Spurgeon