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Capitulo 7: O Castigo pelo Pecado | Parte 2

[Índice]

“O salário do pecado é a morte”. Deus disse a Adão, em relação ao fruto proibido: “no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Gênesis 2:17. Esta ameaça de pena de morte não foi feita a Adão simplesmente com um indivíduo em particular, mas como uma pessoa pública e representativa. Era a pena imposta a uma raça. “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram”. Romanos 5:12. O primeiro pecado foi o pecado de uma raça, portanto a pena também o fora. Toda a raça humana estava em Adão, o primeiro homem, tanto pela natureza quanto legalmente, e o ato dele foi considerado como o de toda a raça, não pessoal, mas representativamente. Cada ser humano, por natureza, é culpado através de Adão, do mesmo modo como cada crente é justo através da justiça de Cristo. Os crentes não são justos pessoalmente, isto é; através de sua própria obediência. Eles são justos representativamente pela obediência de Cristo, que é o Fiador deles.

A pena de morte que Deus falou contra os homens em Gênesis 2:17 e que passou a todos os homens, não é simplesmente a morte do corpo. A morte física é um mero incidente e não é sempre para todos os homens. Houve duas exceções extraordinárias (Enoque e Elias) e haverá muitos vivos, que não morrerão fisicamente, quando o Senhor Jesus Cristo voltar. “Nem todos dormiremos….. porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados”. (I Coríntios 15:51-52). Além do mais, a morte física aconteceu uns 930 anos após o pecado ser cometido no caso de Adão; visto que Deus disse: “no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Gênesis 2:17.

A morte que passou a todos os homens foi a perda do favor divino e que o deixou exposto à ira divina. Não era a morte do homem só, mas como ser moral e responsável. A morte moral foi o resultado de uma quebra de comunhão com Deus. O homem quebrou a comunhão com Deus ao tentar agarrar as rédeas do governo e fazer como lhe agradava. O pecado separa o homem de Deus e traz Sua condenação. A morte física é o resultado da separação do homem, como ser moral, de Deus. O pecador, embora vivo fisicamente, está separado da vida de Deus. Efésios 4:18. Colossenses 1:21.

VIDA E MORTE

As palavras vida e morte são antônimas, e é evidente que um homem não pode estar morto e vivo, no mesmo sentido, ao mesmo tempo. Mas, pode-se estar morto em um sentido e vivo em outro, ao mesmo tempo. Isto se torna óbvio, nas palavras de nosso Senhor: “deixa aos mortos o enterrar os seus mortos”. Lucas 9:60. Ele queria dizer que os moralmente mortos sepultassem os mortos fisicamente.

A vida e a morte não são sinônimas de existência e não existência. A morte jamais significa não existência, nem deixar de ser. No sentido moral, a vida é uma condição de existência e a morte a condição oposta de existência. Ter vida, como ser moral, é existir sob o favor de Deus e ser livre da ira porvir. Ser morto moralmente é existir sem Seu favor e estar exposto à Sua ira. Isto se tornará mais aparente na continuação deste assunto.

A SEGUNDA MORTE

A segunda morte é o castigo no lago de fogo. E este será tanto para a alma quanto para o corpo do perdido. A morte física não é eterna, pois “há de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos”. Atos 24:15. A morte (corpos mortos) e o Hades (almas perdidas) vão ser lançados no lago de fogo. Apocalipse 20:14. Esta é a segunda morte. Não queremos provar aqui que a segunda morte é eterna. Isto acontecerá em capítulo posterior. Contudo, não parece razoável que o fogo os queimará no sentido de tirá-los de uma existência consciente. Se isto fosse verdade, a única diferença entre os crentes que foram martirizados e os ímpios seria o tempo e lugar do sofrimento. Os mártires (muitos deles) foram sentenciados a morrer na fogueira e, se seus atormentadores apenas serão queimados e deixarão de existir, então a salvação dos crentes não foi tão preciosa como eles supunham. Um irmão que acredita na imortalidade condicional escreveu-me que não conhecia versículo nenhum na Bíblia que ensinasse que os ímpios sofreriam no inferno mais que cinco minutos. Que salvação barata! Bocado doce para o ímpio! Se fosse a verdade.

O homem é um ser tanto físico quanto psíquico, isto é; ele tem corpo e alma. Como ser físico seu corpo foi feito da mesma substância que o das feras no campo. Veja Gênesis 2:7 e 19. Como ser psíquico ele se tornou alma vivente quando Deus soprou em suas narinas o fôlego da vida. Não se diz isto em relação à origem da alma das feras. Os animais têm alma (provaremos isto depois), mas não a receberam como o homem a recebeu. O homem, como o auge da criação, foi feito à imagem de Deus, o que significa que ele tem algo que não pertence às feras do campo. Esta imagem de Deus no homem é o espírito. Deus é Espírito e o homem deve ter espírito, a fim de ser à Sua imagem. Ao fazer do homem um ser vivente, Deus lhe transmitiu o que o fazia à imagem dEle. O homem, pela virtude de sua criação, tem corpo e alma, os quais lhe dão parentesco com os animais, mas também tem espírito, que o relaciona a Deus. F. W. Grant faz uma distinção muito útil entre a alma e espírito:

“A alma é nas Escrituras a base das paixões, emoções, sensibilidade, como o espírito do juízo mental e moral. Este último, em qualquer sentido real, as feras não têm. I Coríntios 2:11. Mas o homem os aprende, reunindo materiais do juízo através da alma …os sentidos; e à medida que o corpo começa a se desenvolver antes mesmo da alma, assim o faz a alma antes do espírito. O espírito no homem depende, assim realmente da alma; e é extraordinário que só quando ausente do corpo, sua distinção real começa a se manifestar. A alma sobrevive, sem dúvida, ao golpe da morte; mas agora se chama o que nunca foi antes, “espírito”. Lucas 24:37, 39. Hebreus 12:23. I Pedro 3:19.

Grant nos diz que o homem se chamou Adão, de Adamah na língua hebraica, que significa “chão”, para lembrar-lhe de sua origem: “és pó” (Gênesis 3:19); e chamou-se alma para lembrar-lhe de sua semelhança aos animais; porém nunca se chama espírito, até que saia do corpo. Lemos sobre “espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hebreus 12:23) e “espíritos em prisão” (I Pedro 3:19).

A PRIMEIRA MORTE

O homem, como ser físico e também moral, está sujeito a dois tipos de morte: a saber, a física e a moral. Existe somente uma morte física para qualquer homem. “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo”. Hebreus 9:27. Note a exatidão das Escrituras. Não é “homem”, o genérico, mas “homens”, como indivíduos. A morte física não está designada ao “homem”, toda a raça, mas aos homens. Já mostramos as exceções.

O homem considerado como ser moral pode passar por duas mortes: a primeira e a segunda. Todos os salvos só passarão por uma. Os que não são salvos passarão por duas. “O que vencer não receberá o dano da segunda morte”. Apocalipse 2:11. Ninguém escapou da sentença da primeira morte, pois ela passou a todos os homens.

A primeira morte é claramente definida nas Escrituras. É estar “morto perante a lei”, ou morte jurídica. É estar morto em ofensas e pecados. É a morte no sentido da culpa e da depravação. É a morte da condenação. A antítese da morte jurídica é a “justificação de vida”. Romanos 5:18. “Na verdade, na verdade vos digo quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida”. João 5:24. A vida eterna é equivalente à justificação e oposta à condenação. Como ser moral o crente é justificado por Deus e nunca será condenado. Ele saiu da maldição da lei de Deus e existe sob o favor de Deus.

O crente deve se reconhecer como morto para o pecado, mas vivo para Deus através de Jesus Cristo. Romanos 6:11. Isto significa que o crente está morto para a culpa do pecado – não mais exposto à ira de Deus; e que está vivo ou justificado diante de Deus pela virtude da justiça de Cristo imputada a ele. Temos também este aspecto de vida e morte em I João 5:12: “Quem tem o Filho tem a vida; e quem não tem o Filho de Deus não tem a vida”. I João 5:12. “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” João 3:36. A espada da justiça divina está pendurada por sobre a cabeça do incrédulo; as bênçãos do Pai Celestial ficam com o crente em Cristo.

Published inDefinição de doutrina – Volume 2

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