Skip to content

Capítulo 24: Quem quiser

[Índice]

“Quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida”. Apocalipse 22:17b.

Há virtude na justiça. Devemos ser justos com todos. Acho que a maioria das pessoas já foi, alguma vez, vítima de injustiça. Somos injustos com alguém quando o interpretamos mal e não deixamos que se defenda. Somos injustos com a Bíblia quando não a deixamos dizer o que diz. Não devemos fazer a Bíblia se encaixar em nossas opiniões; pelo contrário, devemos fazer nossas opiniões se encaixar à Bíblia. A Palavra de Deus pode ser mal interpretada em, pelo menos, duas maneiras: ao não considerar porções nela e ao se interpretar mal, textos considerados. Creio que a mal interpretamos dos dois modos. Interpreta-se mal os versículos, quando lhes dão um significado errado e também assuntos, quando não se leva em conta toda a verdade expressa no mesmo.

A doutrina do “Quem Quiser” é muito mal interpretada porque não lhe atribuem toda a verdade, ao lidarem com ela. Certa vez ouvi um pregador dizer que João 5:40 não diz “não podeis vir a mim” mas “não vireis”. Ele não era culpado de citar o versículo de forma errada, mas era culpado de interpretar mal o assunto, ao não considerar também João 6:44. “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia”. “Quem quiser” existe, a fim de ensinar que cada pessoa pode vir a Cristo; ao passo que o oposto é verdadeiro, pois a tradução literal de João 6:44 é: “Homem nenhum pode vir a mim, a menos que o Pai que me enviou o não trouxer”.

1. QUEM QUISER VENHA A CRISTO E SEJA SALVO”.

Ninguém é desprezado nesta época da graça. Deus não faz acepção de pessoas. Ele não faz distinção de cor: preto, branco, seja qual for a cor pode vir a Cristo e ser salvo. Ele também não impõe limites sociais: rico ou pobre, servo ou livre; banqueiro ou sapateiro; erudito ou analfabeto; rainha da sociedade ou prostituta de bordel – quem quiser pode vir a Cristo com certeza de que será recebido. (João 6:37b). Esta verdade bendita já foi amplamente demonstrada. Observe alguns que vieram e encontraram salvação: o ladrão na cruz: a samaritana (João 4:5); o perseguidor Saulo de Tarso; o carcereiro implacável (Atos 16); Raabe, a prostituta; Maria Madalena que foi possuída por demônios; Joao Newton, o traficante de escravos (escreveu o hino – A Graça de Deus); João Bunyan, o funileiro blasfemo; e muitos outros, numerosos demais para se mencionar. Se algum pecador desesperado estiver lendo estas linhas, deixe-me urgi-lo a ir a Jesus Cristo – confiando nEle – olhando para Ele – dependendo dEle – e, com certeza, será salvo.

2. HOMEM NENHUM PODE VIR A CRISTO POR SI MESMO.

Somente os que o Pai trouxer, virão. Há diferença entre poder fazer algo e ter permissão para fazê-lo. Há uma grande diferença entre poder e ter permissão para se fazer alguma coisa. Apocalipse 22:17 é um convite para se ir a Cristo e fala de permissão. João 6:44 e 65 fala da capacidade e diz que ninguém é capaz de vir ou crer em Cristo, a menos que seja trazido. Este trazer é feito pelo Pai e não é uma força externa; nem tampouco o uso de uma força física. Pelo contrário, é uma obra graciosa e interna de Deus na alma, e o vir é o exercício da mente e do coração no qual a pessoa toma o lugar de pecador e coloca sua fé em Jesus Cristo como Salvador. Quando Jesus disse: “E não quereis vir a mim para terdes vida.”, as pessoas a quem falava já estavam diante de Sua presença física. Ele estava dizendo: “Vocês não confiam em Mim para a salvação”. A implicação clara é que se houvessem confiado nEle teriam recebido vida. Este versículo fala da responsabilidade de se crer em Cristo. Cada pessoa deve ir a Cristo, pois quem crê não será condenado. (Marcos 16:16).

Isto nos leva a uma difícil questão: Pode haver responsabilidade onde não há capacidade? A resposta: Depende da natureza da incapacidade. Se ela for constitucional ou criada, então não há responsabilidade. O homem, considerado uma criatura feita à imagem e semelhança de Deus, tem a capacidade de confiar, amar e obedecer a Seu mestre. Mas a incapacidade causada pelo pecado não cancela a responsabilidade. Não é pelo fato do pecador ser homem que ele não pode ir a Cristo para ser salvo; é porque ele é um homem caído. Não pode ir por causa do estado de sua mente e coração – não possui nem disposição nem vontade de ir. Não é que queria ir e não pode. O pecador está morto em ofensas e pecados e tem que ser vivificado pelo Espírito Santo, antes que possa fazer qualquer coisa que agrade a Deus. Leia João 3:3, Romanos 8:7-8 e Efésios 2:1-10.

“Quem quiser” implica no livre arbítrio do homem. Através do livre arbítrio a pessoa age conforme a sua mente e natureza, sem nenhuma força externa ou compulsão vinda de fora. O ímpio é livre ao rejeitar a Cristo; ninguém o força a rejeitá-lO. O regenerado (nascido de novo) vem voluntariamente a Cristo, embora seja trazido a Ele por Deus. Ao se ir a Cristo há uma expressão livre do novo coração e mente sã – a natureza nova criada por Deus através de Sua graça maravilhosa. A capacidade de se crer em Cristo como Salvador é dada pela graça. Esta verdade é reconhecida quando oramos pela conversão (salvação) dos perdidos. O arrependimento e a fé são graças inseparáveis criadas no homem pelo Espírito Santo. Os dois são dons de Deus. Atos 5:31, 11:18, II Timóteo 2:25, I Coríntios 3:5-7.

3. OUTRA VERDADE CLARAMENTE REVELADA PELAS ESCRITURAS É QUE TODOS QUANTOS O PAI DEU AO FILHO, COM CERTEZA VIRÃO A ELE.

Cristo diz: “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. (João 6:37). Isto torna a vinda deles certa, e dizer o contrário é contestar o que a Verdade, O Deus-Homem, diz. Isaías 40:31, João 3:36, João 10:16 e 28. Assim, nosso Senhor diz que todos aqueles que o Pai Lhe deu, com toda certeza, virão a Ele. Não podemos esquadrinhar os segredos do conselho eterno, a fim de descobrir quem são estes que o Pai deu, mas eles podem ser identificados, após virem a Cristo. (I Tessalonicenses 1:4-6). Podemos ter a certeza de que cada um que vem foi dado a Cristo pelo Pai. Ao orar ao Pai, Jesus diz: “Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste”. (João 17:2). Temos aqui o domínio soberano de Deus com um propósito específico. (Ver também João 17:6, 9, 11, 12, 20). Estes versículos falam de alguns “do mundo” que o Pai deu ao Filho. (João 17:6). Há um limite aqui, quer queiramos quer não. Cristo deu Sua vida pelas ovelhas (João 10:11). As ovelhas ouvem Sua voz e O seguem (João 10:26-29). Não existe tal coisa como uma expiação geral baseada numa redenção universal. Meditemos no que diz Apocalipse 5:9-10. “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra”.

“REDENÇÃO PARTICULAR”

Concluímos este capítulo dando uma citação completa de Spurgeon sobre a “Redenção Particular”.

Bem, estamos cientes que há teorias diferentes sobre a redenção. “Todos os crentes defendem que Cristo morreu para redimir, mas nem todos os crentes ensinam a mesma redenção. Diferimos quanto à natureza da expiação e quanto ao propósito da redenção. Por exemplo: o arminiano defende que Cristo, ao morrer, não morreu com a intenção de salvar qualquer pessoa em particular – que a morte de Cristo não assegura a salvação de qualquer pessoa viva – de acordo com eles Cristo morreu, tanto por Judas no inferno quanto por Pedro que foi para o céu. Eles acreditam que para aqueles designados ao fogo eterno, houve uma redenção tão real e verdadeira quanto para os que estão agora diante do trono do Altíssimo. Bem, não cremos em tal coisa. Defendemos que Cristo, ao morrer, tinha um objetivo em vista, e este objetivo, com toda a certeza e sem sombra de dúvida, será realizado. Medimos o propósito da morte de Cristo pelo efeito dela – não cremos que Cristo tenha feito nenhuma expiação eficaz por aqueles que estão condenados para sempre. Não nos atrevemos a pensar que o sangue de Cristo tenha sido derramado com a intenção de salvar aqueles que Deus em sua pré-ciência sabia que nunca poderiam ser salvos, e alguns que estavam no inferno, quando Cristo morreu para salvá-los. Muitas vezes nos dizem que limitamos a expiação de Cristo, ao dizermos que Ele não fez tal expiação por todos os homens, do contrário todos os homens seriam salvos. Nossa resposta a esta acusação é que, por outro lado, nossos oponentes a limitam e não nós! Os arminianos dizem que Cristo morreu por todos os homens. Perguntem a eles o que querem dizer com isto: Cristo morreu para assegurar a salvação a todos os homens? A resposta é: Não, com certeza! Então, quem limita a morte de Cristo? Pedimos-lhes perdão por dizerem que nós limitamos a morte de Cristo. Na verdade são eles que a limitam. Dizemos que Cristo morreu para que, infalivelmente, assegurasse a salvação de uma multidão que não se pode contar – você é bem vindo à sua expiação; pode ficar com ela. Nunca vamos renunciar à nossa em troca do que se acredita por aí. Dizem-me que é minha obrigação afirmar que todos os homens foram redimidos e que há um versículo nas Escrituras que apóia esta idéia: “O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo”. (I Timóteo 2:6). Bem, parece-nos haver grande argumento por trás desta questão. Mas veja o que a Bíblia fala. Lucas 2:1: “E aconteceu naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse”. Era para o mundo inteiro se alistar? Não, somente os sujeitos do reino falado. Marcos 1:5: “E toda a província da Judéia e os de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados”. Era toda a Judéia ou toda Jerusalém, batizada no Jordão? I João 5:19: “Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno”. Todo o mundo aqui significa “todo mundo”? As palavras ‘mundo’ e ‘todos’ são usadas em uns sete ou oito sentidos nas Escrituras e raramente ‘todos’ significa todas as pessoas individualmente. As palavras geralmente são usadas para significar que Cristo redimiu alguns, de todos os tipos de pessoas: alguns judeus, alguns gentios, alguns ricos, alguns pobres e não restringiu Sua redenção nem a judeu nem a gentio”. (fim da citação de Spurgeon).

Nosso coração só pode dizer: Amém! a estas palavras de Spurgeon, e pregador nenhum é tão grande quanto ele desde o Apóstolo Paulo. Podemos acrescentar que Spurgeon fez mais para moldar nossa teologia do que qualquer outro homem que não foi inspirado, como Paulo foi.

A raça humana ficou perdida, em massa, quando o primeiro Adão pecou. “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos”. (Romanos 5:19). O homem não foi redimido em massa, porém como indivíduo em particular. Os pecadores também não são regenerados em massa, mas como indivíduos, um por um. As massas não demonstram arrependimento e fé, mas sim os indivíduos, um a um. E repetimos: “Quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida”.

Quem ouvir as novas, vá proclamar:
Salvação de graça, vinde desfrutar!
Oh! Que o mundo inteiro ouça anunciar:
Todo que quiser, é vir!
Quem quiser agora, venha receber;
Eis a porta aberta, já podeis entrar;
É Jesus caminho para ao céu chegar;
Todo que quiser, é vir!
Que fiel promessa tens pecador!
Queres tu a vida? Vem ao Salvador!
Ele todos fala com mui terno amor:
Todo que quiser, é vir!

Coro
Todo que quiser, venha receber!
Possam todos essa boa nova ouvir.
É o Pai celeste que convida assim:
Todo que quiser, é vir!
Cantor Cristo – Quem Quiser, Nº 213 — Philip Paul Bliss

Published inDefinição de doutrina – Volume 2

Receba nossos informativos!

Cadastre seu e-mail para receber nossas novidades:

Obrigado. Cadastro efetuado com sucesso!