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Capítulo 19: A fé que salva

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Nem tudo que balança cai! O hábito não faz o monge! Nem todos quantos professam fé e dizem “Senhor, Senhor” alcançarão o céu. Quando falamos sobre a fé que salva há a implicação de uma fé que não salva. Pregamos a salvação pela fé, sem obra nenhuma de mérito humano e assim estamos em terra firme. A Bíblia ensina, de modo imutável que o pecador é salvo somente pela fé: “Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça”. Romanos 4:16. Se o pecador fizer qualquer coisa, além da fé, para a salvação, ele frustra a graça de Deus. Porém, temos que considerar as falsificações na questão da fé, como em outras coisas. Existem muitas falsificações no plano da religião. Satanás é o falsificador mestre. Se Deus tem um Filho chamado o senhor Jesus Cristo, então Satanás também tem um, chamado o filho da perdição (II Tessalonicenses 2:3). Se Deus tem Seus ministros, então Satanás também os tem, os quais se transfiguram em ministros da justiça, a fim de enganarem. (II Coríntios 11:15). Se Deus tem um Evangelho, Satanás também tem o dele, o qual Paulo chama de outro evangelho, que não é verdadeiro. (Gálatas 1:8). Se Cristo tem Sua igreja, Satanás tem sua sinagoga. (Apocalipse 3:9). Se existe uma fé, chamada a fé do eleito de Deus, Satanás também falsifica esta fé. (Hebreus 10:39). Dinheiro falso passa por inúmeras mãos sem ser detectado e muitos crentes falsos se passam como crentes verdadeiros. Parece que Judas não foi detectado como falso professo pelos outros discípulos, pois nenhum dedo foi apontado para ele, quando Cristo predisse que uma deles o trairia. Este é um desafio para cada professo, inclusive o autor, o de ter certeza que possui a graça e a fé que salvam. Vamos, então, fazer algumas considerações:

ALGUNS SUBSTITUTOS PARA A FÉ QUE SALVA

1. Existe o que se pode chamar de fé teórica ou histórica.

Ela é apenas uma simples aceitação mental à verdade revelada. Não há elemento religioso nem emotivo. A verdade não alcança o interior nem o coração está nela. Falta amor e confiança. É crer sobre Cristo, do mesmo modo que se acredita sobre Tiradentes ou sobre o Presidente da República.

2. Há o que se chama de fé temporária.

É ilustrada na parábola do semeador. O solo pedregoso recebe a palavra, na hora com alegria, mas não tendo a raiz da questão em si, agüenta só por um pouco, e diante das provações perde o interesse no que professara. É tudo superficial e, portanto, apressado e irreal; nada mais que emoção carnal. Não vinha de Deus, por isso não fica. Na experiência real da graça, a Palavra, a princípio, não traz alegria. O Espírito Santo impele a verdade através das entranhas da auto-estima e o pecador se sente mal. É o modo do Espírito expor o pecador a si mesmo, antes que revele a ele o Salvador Jesus Cristo. É o pecador consciente que olha para Cristo em busca de salvação.

3. Há o que as Escrituras chamam de fé vã.

Ao mostrar a necessidade da ressurreição de Cristo, Paulo diz: “Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou”. I Coríntios 15:16. O apóstolo está dizendo que fé num Cristo morto é vã. Ele não estava pensando na natureza da fé, mas sim no objeto desta fé. A fé vã confia no que não tem poder para salvar. Uma fé fraca pode ser uma fé que salva, ao passo que uma fé forte pode ser vã. Uma fé forte num Cristo morto não salva, ao passo que uma fé fraca no Cristo vivo é salvadora. Isto torna o objeto da fé de suprema importância. Se o pecador confiar no objeto errado, sua fé será vã. O único objeto da fé que salva é Cristo, vivo e crucificado; uma fé mais forte em qualquer outro objeto será sem valor. Todos nós devemos ter uma grande fé em Cristo; contudo, não é a força da nossa fé que salva, mas sim a força do Salvador. Isaías descreve o idólatra que faz seu deus da mesma árvore que o aquece e com a qual cozinha o alimento! Esta conduta estranha é explicada assim: “Apascenta-se de cinza; o seu coração enganado o desviou, de maneira que já não pode livrar a sua alma, nem dizer: Porventura não há uma mentira na minha mão direita?” Isaías 44:20. A insanidade espiritual da raça humana é amplamente revelada nas coisas em que as pessoas confiam para a salvação. Somente aqueles instruídos por Deus confiam em Jesus Cristo. João 6:45.

4. Os sentimentos podem ser substituídos pela fé.

Muitos fazem pregações calculistas que produzem sentimentos ao invés de fé. Os pregadores devem se acautelar ao contarem ilustrações lamuriosas fazendo com que os pecadores ajam através das emoções, quando não recebem nenhum objeto que salva para confiar. A ordem verdadeira na experiência da graça é: 1) Fato; 2) Fé; 3) Sentimentos. 1) O fato do Evangelho de Cristo e Este crucificado; 2) A Fé nesse fato – fé no que Cristo fez como Salvador; 3) Sentimentos como resultado natural de nossa confiança em Cristo como Salvador. Não somos salvos através dos sentimentos, mas se confiarmos em Cristo para a salvação, sentiremos paz na alma e segurança, quando meditamos no que a Bíblia diz sobre o poder do Seu sangue. Agora, vamos considerar de modo mais direto:

A NATUREZA DA FÉ QUE SALVA

Há dois sentidos nos quais a palavra “fé” é usada na Bíblia. A maioria das vezes é o ato de crer. Poucas vezes significa no que se crê; o credo. Em Judas 3, somos exortados a “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”, com o significado óbvio que temos que batalhar pelo conteúdo da verdade apresentado nas Escrituras. Tiago parece usar a palavra do mesmo modo, ao dizer: “Tu crês que há um só Deus”. Tiago 2:19. Este era o credo ortodoxo dos judeus, de acordo com Deuteronômio 6:4. Mas ter um credo ortodoxo em relação a Deus não é ato da fé que salva.

A fé que salva, como um ato, é uma mistura de crença e confiança: crença no testemunho que Deus deu a respeito de Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, e confiança em Cristo como único Salvador. Crer em Deus quanto à salvação é confiar em Seu Filho como Salvador. João nos diz que Deus testificou que há vida eterna em Seu Filho e que se recusar a crer nEle é fazer de Deus mentiroso. Ver I João 5:9-12.

A fé salvadora é acompanhada pelas obras; de outro modo é uma fé morta, sem valor nenhum. Somos unicamente salvos pela fé, mas não por uma fé que não age. No novo nascimento há três graças implantadas na alma humana: a fé, a esperança e o amor. As três são inseparáveis. A esperança pressupõe a fé, pois não poderíamos esperar pelo cumprimento da promessa se não crêssemos que o que fora prometido seria recebido. A fé se une ao amor e opera as obras pelo amor: “Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor”. Gálatas 5:6. Paulo pregou a fé sem obras que não tem parte nenhuma na justificação. Ele também pregou a justificação pelas obras como evidência da fé. Paulo e Tiago concordavam em relação à natureza da fé que salva. Tiago pregou a justificação pelas obras como evidência da fé real. Ele escreveu sobre a justificação da profissão, insistindo que uma fé viva e real só poderia ser mostrada pelas obras. “Mostra-me” foi o desafio de Tiago.

DEFINIÇÃO E ILUSTRAÇÕES

O capítulo 11 de Hebreus nos diz o que é fé e o que ela faz. “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. Porque por ela os antigos alcançaram testemunho”. Hebreus 11:1-2. A fé opera, em relação ao futuro, coisas que se esperam com esperança ou expectativa. Ela também opera em relação às coisas que não podem ser observadas, que estão além da prova científica. A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam. Esta frase (firme fundamento) significa literalmente: “aquilo que fica por baixo”. Assim, a fé é o que fica por baixo da esperança, a fim de dar-lhe suporte, não a deixando morrer, enquanto se espera pelo que foi prometido. O que se espera ainda não se possui, mas a fé assegura que o será. A Palavra de Deus é o alicerce seguro sobre o qual fica a esperança. Espera-se por algo porque Deus o prometeu. A fé oferece uma base sólida para a esperança, pois é a segurança interior que o que se espera será recebido. É assim: Deus faz uma promessa em Sua Palavra; a esperança começa a ansiar por seu cumprimento e a fé é a confiança ou certeza que o que foi prometido se cumprirá. A fé que salva é a certeza de que todas as bênçãos prometidas pó Deus em Cristo serão recebidas. Algumas destas bênçãos, tais como a perfeição pessoal e um lar no céu, encontram-se no futuro como fatos de uma esperança segura. Se eu não cresse que no fim chegaria ao céu, sendo feito conforme à imagem de Cristo, então não teria esperança nenhuma sobre o futuro.

A fé também é evidência do que não se vê. É uma convicção interior que o que Deus disse é a verdade, mesmo que esteja além da razão e da prova científica. Esta definição dupla de fé vem seguida pelas ilustrações no plano do futuro e do que não se vê. Temos espaço apenas para duas destas ilustrações.

ABEL E SUA FÉ

“Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando a Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala”. Hebreus 11:4. Abel esperava ser aceito por Deus e esta esperança se baseava na promessa de Deus! Deus falara tanto a Caim quanto a Abel sobre o modo como deviam se aproximar dEle e serem aceitos por Ele. A fé pressupõe uma revelação divina, porque “a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”. Romanos 10:17. O modo prescrito por Deus indicava que os homens eram pecadores e que só podiam ser aceitos pelo sangue, pois “sem derramamento de sangue não há remissão”. Hebreus 9:22. Tanto Caim quanto Abel sabiam que tinham que levar uma oferta para Deus. Caim, como os fariseus da época de Cristo, rejeitou o conselho e veredito que Deus lhe dera, negou que era pecador, recusou-se a levar a oferta de sangue exigida por Deus e levou uma mera oferta de agradecimento composta de frutos da terra. Agiu na descrença e, tanto ele quanto sua oferta foram rejeitados. Abel agiu pela fé e ofereceu o tipo de sacrifício exigido. Tomou o lugar de pecador e levou o cordeiro que foi morto. Caim e Abel ofereceram na esperança de serem aceitos, mas a esperança de Caim não se baseava na fé bíblica e acabou em decepção e desespero. A esperança de Abel foi realizada e ele obteve testemunho de aceitação com Deus, com base na oferta que levou. Já ouvimos dizer que se Caim, pela fé, tivesse oferecido os frutos da terra, também teria sido aceito. A réplica a esta idéia é que se Caim tivesse levado uma oferta pela fé, não seria de frutos da terra, mas sim o mesmo tipo de sacrifício oferecido por Abel. Lemos que Abel levou um sacrifício mais excelente que Caim, pelo qual não devemos entender que tenha sido de maior valor intrínseco, porém foi mais excelente como confissão de pecado e tipo dAquele que fere a cabeça da serpente, o qual fora prometido por Deus.

NOÉ E SUA FÉ

“Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pelo qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé”. Hebreus 11:7. “A fé vem pelo ouvir”, por isso Noé recebeu uma revelação de Deus sobre um dilúvio iminente e como escapar da destruição. Era algo nunca visto antes e além de qualquer prova científica. Tudo o que Noé tinha pelo qual agir era o que Deus dissera. Noé creu em Deus. Ele não estava interessado em provas científicas sobre as possibilidades de um dilúvio. Nunca se crê em Deus ao se tentar verificar se o que Ele diz é racional ou possível. Nunca se crê em Deus ao se colocar o que Deus diz no crisol da razão e juízos humanos.

ALGUMAS METÁFORAS DA FÉ QUE SALVA

A fé que salva é representada sob uma variedade de metáforas. Vamos, agora, considerar algumas delas:

1. Fé é entregar a alma a Cristo.

Paulo fala assim em II Timóteo 1:12: “Porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia”. Paulo depositara sua alma aos cuidados de Cristo, por toda a eternidade, com a certeza que seria guardada com toda a segurança.

2. Fé é vir a Cristo.

“Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. João 6:37. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. Mateus 11:28.

3. Fé é receber Cristo.

“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome”. João 1:11-12. A fé é a mão vazia que recebe Cristo como o Todo-poderoso que pode salvar. Não tem nada a dar como preço da salvação. A fé diz: “Não trago nada nas mãos, simplesmente me agarro à Tua cruz”.

4. Fé é se alimentar em Cristo.

No grande discurso sobre o Pão da Vida, nosso Senhor usa as palavras crer, vir e comer alternadamente. Ver João 6:32-58. Crer em Cristo é a mesma que vir a Ele. Crer e vir é a mesma coisa que comer Sua carne e beber Seu sangue. Comer e beber são figuras de linguagem que representam a alma ao se apropriar dos benefícios da morte de Cristo. Não é o sentido carnal e vulgar que muitos querem dar! Cristo foi oferecido, uma só vez, pelo pecado e ninguém tem Seu corpo nem sangue físicos, nem ninguém pode fabricá-los. Alimentamo-nos espiritualmente do Seu corpo e sangue pela fé, não com bocas carnais. Não há nada que possa ser colocado em nosso corpo carnal ou aplicado a ele exteriormente que possa afetar nossa salvação.

5. Fé é fugir para Cristo.

No Velho Testamento havia cidades de refúgio às quais o homicida podia fugir em busca de segurança. Números 35:6-12. Do mesmo modo, Cristo é o refúgio do pecador ao enfrentar o pecado. Temos duas coisas imutáveis: A Palavra de Deus e Seu juramento de que “tenhamos a firme consolação, nós os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta”. Hebreus 6:18.

6. Fé é olhar para Cristo.

“Olhai para mim, e sereis salvos vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro”. Isaías 45:22. “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé”. Hebreus 12:2. Com certeza há vida em se olhar para o Cristo crucificado.

7. Fé é invocar o nome de Cristo.

“Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. Romanos 12:12-13. Aqueles que não invocarem o nome de Cristo neste tempo de salvação, no dia de Sua ira clamarão às montanhas para que caiam sobre eles e os escondam de Sua face. Mas, ninguém que clama, agora, pela fé, o fará em vão, pois Cristo é o Salvador poderoso, sempre pronto a salvar.

ILUSTRAÇÃO

Todos os elementos da fé que salva podem ser apresentados através do uso de uma antiga ilustração. Os pensamentos, sentimentos e ações de uma pessoa próxima a um barco numa ilha pequena, que está ameaçada pelas águas da maré que sobe, representam o todo da fé que salva. A pessoa, primeiro, olha para barco de um ponto de vista puramente intelectual. Ela crê que o barco realmente existe, do mesmo modo como o pecador crê que há um Deus e um Salvador. À medida que a maré vai subindo e as ondas aumentam, a pessoa vai olhar para o barco com emoção e interesse. Assim é o pecador, quando o Espírito o convence do pecado – ele começa a se preocupar com a sua segurança. Mas, quando a pessoa vê que a maré furiosa está prestes a jogá-lo nas águas traiçoeiras, ela entra no barco, como único meio de escape. Entrar no barco é o que realmente a salva. Não se pode dizer que ela confiou no barco, até o momento em que entra nele. Assim também o pecador talvez creia que Cristo é o Salvador, mas não será salvo até que o receba, pela fé – não é salvo até depender de Cristo para sua salvação. A própria essência da fé é esperança ou confiança. Cada crente vai confessar alegremente: “Quebrei a lei de Deus, Cristo Se interpôs e dependo dEle para me salvar”.

Atribulado coração, em Cristo alívio encontrarás;
Consolo, paz e seu perdão. Sim dEle tu receberás.
Oh vem sem demora ao Salvador! Porque vacilar e ter temor?
Oh vem! Vem já! Descanso te dará!
Dilacerado pela dor das tuas culpas do pecar,
Vem sem demora ao Salvador, e vida nova hás de gozar.
Oh vem sem demora ao Salvador! Porque vacilar e ter temor?
Oh vem! Vem já! Descanso te dará!
A Cristo, sem demora, vem, pois Ele almeja te valer;
E sempre quer buscar teu bem; confia nEle em teu viver!
Oh vem sem demora ao Salvador! Porque vacilar e ter temor?
Oh vem! Vem já! Descanso te dará!

ATRIBULADO CORAÇÃO, Cantor Cristão – 236.

Published inDefinição de doutrina – Volume 2

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