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Capítulo 11: O Evangelho da salvação

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Paulo foi chamado pelo Senhor para ser missionário, e ele é conhecido como o Apóstolo aos gentios. Caído ao chão, na estrada de Damasco, Paulo ouviu Cristo lhe dizer: Levante-se, pois estou te mandando aos gentios, “para abrires os plhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim”. Atos 26:18. Após sua conversão, comissão e batismo, Paulo pregou Cristo na sinagoga de Damasco, provando que Jesus é o próprio Cristo, para a frustração dos judeus. Por causa de um plano para matá-lo, o apóstolo foge para a Arábia, por algum tempo. Volta, depois, a Damasco. Três anos mais tarde vai à Jerusalém. Pela segunda vez, Paulo escuta que deve ir aos gentios; que o povo de Jerusalém não receberá seu testemunho. Em obediência a seu chamado, Paulo vai se embrenhando, cada vez mais, em território pagão. Ele quer pregar o Evangelho onde o nome de Cristo nem era conhecido, para que não pudesse edificar sobre o alicerce de outra pessoa. Com este espírito pioneiro, quer ir a Roma e à Espanha, pois quer convertidos tanto em Roma quanto entre os gentios. O Apóstolo não se envergonha em pregar o Evangelho, seja onde for, embora saiba que vai encontrar zombaria e desprezo. “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”. Romanos 1:16.

A fim de entender a audácia destas palavras, temos que ouvi-las com os ouvidos de um romano. Lá estava um judeuzinho insignificante, com a cabeça cheia de idéias sobre outro judeu, a quem o governador romano entregara para ser crucificado, a fim de satisfazer outros judeus e manter a ordem na província. Era nisto o que um romano pensaria sobre Paulo e sua mensagem. O Apóstolo, porém, sabia que possuía boas novas, que trariam salvação a todos quantos cressem nela.

O QUE É O EVANGELHO

Damos graças a Deus por termos uma declaração na Bíblia que define o que é o evangelho, mas, a fim de sermos mais claros e para que fique mais explicado, trataremos do assunto tanto negativamente, quanto positivamente.

Negativamente:

1. A Bíblia não é o Evangelho.

Seria uma definição muito vaga e geral. A Bíblia contém o Evangelho e muitas outras verdades também. Toda a verdade da Bíblia não é a verdade do Evangelho. Há, na Palavra de Deus, a verdade sobre a lei, o pecado, a morte, o julgamento e muitas outras coisas que não são o Evangelho. Há muitos que pensam que o Velho Testamento é a lei e o Novo testamento é o Evangelho. Porém, a verdade é que tanto a lei quanto o evangelho podem ser encontrados no Velho e Novo Testamentos. Alguns dos textos mais preciosos do Evangelho se encontram no Velho Testamento, ao passo que textos específicos sobre a lei se encontram no Novo Testamento. O capítulo 53 de Isaías é repleto do Evangelho. Baseado neste capítulo, Filipe pregou Jesus ao eunuco e ele foi salvo. Paulo e os outros só possuíam o Velho Testamento e era com ele que pregavam o Evangelho.

A lei deve ser pregada, assim como a Bíblia inteira também. A lei, quando pregada corretamente, vai revelar ao homem que ele é pecador e também vai destruir toda a justiça própria. Foi por isso que Cristo a pregou ao jovem rico (Mateus 19:16) e a um certo doutor da lei (Lucas 10:26). Pela lei se reconhece o pecado. Paulo não sabia que era um pecador perdido, até que viu o que a lei exigia (Romanos 7:9). A lei diz ao homem o que ele deve fazer; o Evangelho diz ao pecador o que Cristo fez. A lei condena o melhor dos homens; o Evangelho justifica o pior deles. A lei faz exigências; o Evangelho abençoa. A lei trata com justiça; o Evangelho com misericórdia. A lei pertence ao pacto das obras; o Evangelho, ao pacto da graça!

2. O batismo não é o Evangelho.

Paulo diferencia claramente batismo e Evangelho ao dizer: “Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar (pregar o Evangelho)”. I Coríntios 1:17. Ele relembrou aos coríntios os poucos que havia batizado e depois à igreja como um todo, quando disse: “Porque eu pelo evangelho vos gerei em Jesus Cristo”. I Coríntios 4:15.

O Batismo e a Ceia do Senhor não são sacramentos que salvam, porém são símbolos que pregam o Evangelho. Eles não causam a salvação, mas a proclamam, através de Cristo. Não são atos que salvam, mas contém uma mensagem simbólica que salva. O batismo sem dúvida, lava o pecado simbolicamente, mas é o sangue de Cristo que realmente o tira por completo. O batismo tem seu lugar na vida cristã, mas não deve se tornar um substituto para o sangue de Cristo como objeto de fé ou confiança.

3. A igreja não é o Evangelho.

Tornar-se membro de uma igreja não é a mesma coisa que crer no Evangelho. É preciso, primeiro, crer-se no Evangelho antes de se tornar membro de uma igreja.

4. O novo nascimento não é o Evangelho.

O novo nascimento é uma experiência – uma obra realizada em nós. O Evangelho são as boas novas de algo feito por nós. O Evangelho é a luz objetiva (II Coríntios 4:4); o novo nascimento dá a luz subjetiva a fim de que o Evangelho possa ser compreendido de modo a salvar o pecador (II Coríntios 4:6, João 3:3). O Evangelho é a história do que Cristo fez na cruz; o novo nascimento é o que o Espírito Santo faz em nós, ao nos dar a vida. A justificação é o resultado da morte de Cristo por nós (Romanos 4:24); a regeneração é o efeito da obra do Espírito Santo em nós. Justificação é vida imputada, regeneração é vida concedida.

5. O arrependimento não é o Evangelho.

É o que o pecador deve fazer para ser salvo. O Evangelho é o que Cristo já fez por nossa salvação. “Arrependei-se e crede no Evangelho” (Marcos 1:15). Vemos aqui que o arrependimento e o Evangelho são coisas distintas. Nenhum homem é salvo pela fé no arrependimento. A salvação vem pela fé no Evangelho.

6. A fé não é o Evangelho.

Pelo contrário, ele é o objeto da fé. A fé, por si, não salva. É preciso que seja fé no Evangelho a fim de salvar. Não temos que ter uma fé perfeita, a fim de sermos salvos, mas tem que haver um Evangelho perfeito, para que a salvação real aconteça.

Positivamente:

1. O Evangelho são as boas novas.

O Evangelho é para os pecadores; é a revelação da justiça providenciada por Deus, através de Cristo, aos injustos (ímpios). Romanos 1:17.

2. O Evangelho são as boas novas sobre uma pessoa, o Senhor Jesus Cristo.

“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”. Atos 4:12. Os homens não são salvos por fazerem isto ou aquilo, nem por irem aqui ou acolá. Eles são salvos quando vão ao Senhor Jesus Cristo, que graciosamente disse: “O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. João 6:37. Salvação não é questão de geografia (local). Não existe lugar seguro, para se escapar da ira de Deus em canto nenhum do mundo. Também não é uma atitude corporal, mas sim atitude do coração de confiança e sinceridade nAquele que é nossa Páscoa; que foi sacrificado por nós.

3. O Evangelho consiste de certos fatos históricos com uma teoria incontestável e particular e a explicação para estes fatos.

Estes fatos são dados a nós em I Coríntios 15:3-4: “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”. Ou, como Paulo diz em Romanos 4:25: “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação”.

A menor parte de um fato é sua parte visível, e não há significado sem uma explicação. Por isso, Paulo, não apenas dá os fatos, mas os explica também. O simples fato de Jesus de Nazaré ser crucificado não é mais Evangelho do que os dois ladrões que O ladeavam. É a explicação deste fato que faz de Sua morte o Evangelho, e não a morte dos ladrões. Quem morreu foi Cristo, o Filho de Deus, e foi por nossos pecados.

Cristo, o Filho de Deus, morreu por nossos pecados. O que isto significa? Há quem diga que Ele simplesmente morreu a nosso favor, mas não como nosso Substituto. Insistem que não deve haver a teoria da expiação, mas se investigarmos um pouquinho, veremos que tais pessoas a têm. Deixe que digam como Cristo morreu a nosso favor – como Sua morte nos salva – a menos que tenha morrido como nosso Substituto, a fim de dar a satisfação divina pela justiça divina por nossos pecados. Para que Sua morte nos salvasse, teria que cancelar nossa culpa perante a lei de Deus, mas como faria isto, a menos que Ele tivesse sofrido a culpa que era nossa? Ele sofreu, o Justo pelo injusto, e como isto poderia acontecer, a menos que tivesse sofrido em nosso lugar? Se Cristo tivesse morrido como um mártir por uma boa causa, ou como um simples exemplo de fidelidade até a morte ou como gesto de amor que conquistasse o coração do homem, de modo algum remiria os pecadores da maldição da lei. A justiça divina exige o castigo divino e o único modo que o pecador pode escapar de tal castigo é Cristo sofrendo o castigo devido ao pecador. Aqueles que negam o sangue da remissão adoram um deus diferente do que o da Bíblia e praticam uma religião diferente do que há na Bíblia também.

O QUE O EVANGELHO FAZ

Em uma palavra: o Evangelho salva todo aquele que crer nele. E o Evangelho verdadeiro é o que diz que Cristo, o Filho de Deus, fez em dar Sua vida por nossos pecados e a tomou de volta para nossa justificação. Romanos 1:16 é usado freqüentemente para dizer que a pregação do Evangelho tem o poder de converter os pecadores. Mas não é isto que este versículo está dizendo. Ele é o poder de Deus para os crentes. Ele pressupõe que haja um crente. O Evangelho salva os crentes, mas não tem poder de fazer crentes. A pregação do Evangelho é o meio de fazer crentes, pois a fé vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus. Repetimos: a pregação do Evangelho é o meio necessário à fé, pois “Como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” Romanos 10:14. Se os pecadores são salvos, o Evangelho deve ser pregado a eles como meio para a fé e salvação resultantes. Contudo, há diferença entre meio para a fé e poder para a fé. O poder para fazer crentes é o chamado eficaz do Espírito Santo. Paulo pregou Cristo crucificado indiscriminadamente a judeus e gregos. Ao judeu, tal evangelho era uma pedra de tropeço; ao grego, uma loucura; mas para o chamado, tanto judeu quanto grego, era a sabedoria e poder de Deus no plano da salvação no Senhor Jesus Cristo crucificado.

O Apóstolo não está escrevendo sobre o poder da sua pregação, mas sobre o poder do que pregava. E o que pregava? Cristo crucificado, que tinha o poder de cancelar a dívida do pecado. Cantamos: “Há poder, sim, força sem igual, só no sangue de Jesus”, o que significa que o sangue de Cristo tem poder para expiar o pecado. João diz que o sangue de Jesus Cristo, o Filho de Deus, nos purifica de todo o pecado. Aquilo que o povo acha vergonhoso e tolo é exatamente o que Deus usa para salvar os pecadores. O que Cristo fez, ao morrer e ressuscitar, tem poder para cancelar a dívida do pecado. O Evangelho foi outorgado por Deus, não é um recurso humano. Deus enviou Seu Filho para morrer; Ele colocou sobre Cristo a nossa iniqüidade. Não somos salvos porque os homens mataram Jesus: isto seria assassinato. Somos salvos porque “Ele foi aflito, ferido de Deus e oprimido”. Isaías 53:4. Deus sacrificou Seu próprio Filho para nossa salvação (segurança eterna). Espantoso? Extraordinário? Maravilhoso? Com certeza! Mas devemos lembrar que o pecado é terrível em sua natureza e efeitos e, nada, a não ser uma solução extraordinária, poderia remediá-lo.

ILUSTRAÇÃO

Um homem comete um homicídio e por isso é condenado à pena de morte. O assassino fora contratado por outro homem, o qual já estava sob pena de morte, sem nenhum direito ao perdão. Mas a lei permite um substituto, que morre no lugar do assassino, por puro amor ao condenado. A morte do substituto cancela a culpa do assassino e o liberta. O tribunal fica satisfeito com a morte do substituto e o culpado recebe a liberdade. Interpretação desta parábola: o homem se tornou pecador contra Deus pelo engano de Satanás, o qual já está condenado ao inferno sem nenhuma chance de perdão. A lei divina permite que um substituto tome o lugar do homem pecador. O Filho de Deus, de bom grado, Se entrega como substituto do pecador, sofrendo, o Justo pelo injusto, para que o pecador não morra por causa dos seus pecados.

BENEFICIÁRIOS DO EVANGELHO

Paulo diz: “De todo aquele que crê”. Romanos 1:16. A morte de Cristo não vai fazer nenhum bem a quem zomba ou se recusa a confiar nela. “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” João 3:36.

Uma explanação mais completa sobre a fé que salva, será tratada em outro sermão. Contudo, há espaço, aqui e agora para algumas considerações. Há tanta coisa que se faz passar pela fé que salva. Temos que estar atentos, para que não cometamos um erro a este respeito. A fé que salva é algo mais que o simples concordar da mente à uma proposta, mesmo sendo verdadeira. É preciso se confiar no Senhor Jesus Cristo com todo o coração. A fé que salva não se satisfaz com o eu; ela se satisfaz com o que Cristo fez na cruz, para a nossa salvação. Aquele que se satisfaz com Cristo nunca ficará satisfeito com qualquer outra coisa.

O valor da fé depende do valor do seu objeto. Se eu confio numa pessoa ou objeto que não possa ou não queira me salvar, então minha fé não tem valor – é vã, mesmo que seja forte. A fé tanto pode ser enganosa quanto salvadora. Não há perigo em se confiar no Senhor Jesus Cristo, pois Ele está disposto e também tem poder para salvar. Ele pode nos salvar porque está vivo. Um morto não pode ser um salvador verdadeiro, nem deve ser objeto de fé. É ofício do sacerdote fazer as pazes entre os pecadores e Deus. Os sacerdotes do Velho Testamento não podiam fazer isto por dois motivos: não viviam para sempre como sacerdotes nem tinham sacrifícios que salvavam a oferecer. Era “impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados”. Hebreus 10:4. Mas Cristo é sacerdote para sempre e tem um sacerdócio imutável. “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”. Hebreus 7:25. Eis a base para a fé que salva e um desafio à fé forte. Aleluia! Que Grande Salvador!

Quem me poderá salvar? Cristo que verteu seu sangue.
Onde as manchas vou limpar? Só no seu precioso sangue.
Oh! Que preciosa paz, que vem da sua cruz,
A qual me dá Jesus pelo seu precioso sangue!
Vejo a minha salvação só no seu precioso sangue;
Deus concede-me perdão só no seu precioso sangue.
Oh! Que preciosa paz, que vem da sua cruz,
A qual me dá Jesus pelo seu precioso sangue!
Dele vem perfeita paz pelo seu precioso sangue.
Infalível e eficaz este tão precioso sangue.
Oh! Que preciosa paz, que vem da sua cruz,
A qual me dá Jesus pelo seu precioso sangue!
Minha justificação, tenho no seu precioso sangue.
Gozo traz ao coração, esse tão precioso sangue.
Oh! Que preciosa paz, que vem da sua cruz,
A qual me dá Jesus pelo seu precioso sangue!
Entrarei no céu enfim, pelo seu precioso sangue.
Louvarei então sem fim, esse tão precioso sangue.
Oh! Que preciosa paz, que vem da sua cruz,
A qual me dá Jesus pelo seu precioso sangue!

— SÓ NO SANGUE, Cantor Cristão – 93.

Published inDefinição de doutrina – Volume 2

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