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Capítulo 10: A natureza da salvação

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Salvação – a palavra mais importante já pronunciada. Mesmo assim ainda tão sem significado para as massas, cujas mentes estão presas às coisas da terra.

Salvação – a maior de todas as bênçãos para a alma humana, sem a qual seria melhor nunca ter nascido. No entanto, é a coisa mais negligenciada no mundo!

Salvação – o dom bendito de Deus – sem dinheiro e sem preço – pago por Seu Filho bendito. Ainda assim, homens cheios de orgulho acham que podem ganhá-la às próprias custas!

A salvação pressupõe o fato do pecado. O pecado envolve um Ser Supremo ao qual chamamos Deus. Se não houver Deus, não pode haver pecado; se não houver pecado, não pode haver pecadores. Se não há pecadores a ser salvos, não pode haver salvação. Salvação significa livramento, e a Salvação da Bíblia é livramento do pecado.

O pecado consiste em uma posição de culpa e um estado de depravação diante de Deus. A salvação é o livramento tanto da culpa quanto da impureza. É tornar-se são e salvo em relação ao Deus santo e triúno. O homem, como pecador, está em perigo de receber a ira de um Deus santo e justo, e também está longe da comunhão divina. A salvação é o livramento das conseqüências eternas da rebelião contra a lei do Deus Todo-poderoso. Sem salvação, o pecador está excluído, para sempre, da presença gloriosa de Deus e exposto, para sempre, à ira terrível de Deus.

A NECESSIDADE DE SALVAÇÃO

À luz da eternidade, a salvação é a única necessidade. Em comparação, todas as outras necessidades são insignificantes e temporárias. A salvação é por toda a eternidade. Todas as outras bênçãos duram por um tempo; a salvação é uma bênção eterna. Chama-se vida eterna. O oposto à vida eterna é o castigo eterno no lago do fogo, chamado a segunda morte.

A salvação cobre todas as necessidades eternas. Cobre o problema de moradia, porque “na casa de meu Pai há muitas moradas”. Cobre o problema da alimentação, porque Cristo é o Pão da Vida, do qual se pode comer e nunca mais sentir fome. Cobre o problema de emprego, pois o salvo servirá a Deus, dia e noite, no Seu templo. Ela cobre o problema social, pois os salvos de toda a terra se sentarão com Abraão, Isaque e Jacó no reino de Deus – todas as barreiras de língua e de cultura desaparecerão. Ela cobre o problema de saúde, porque no novo céu e na nova terra não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor – porque “as coisas velhas já passaram”. Além disso, o próprio Deus habitará com Seu povo e lhe enxugará dos olhos toda lágrima.

A salvação é uma necessidade universal, “pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Cada pessoa normal tem um complexo de culpa. Certo pastor anunciou que o sermão seria: “Como se livrar de sentimento de culpa”. Ele disse ao público que daria um tempo, enquanto todos os que fossem livres de sentimentos de culpa pudessem sair do templo. Para sua surpresa, ninguém saiu. Então, o pastor disse que não teria ficado surpreso se tal fato acontecesse numa igrejinha do interior, porque lá todo mundo conhece todo mundo. Mas, numa cidade grande, onde todos eram mais ou menos estranhos para os outros, não esperava que todos reconhecessem que eram pecadores. Mas o povo daquela cidade sabia o que sentia a este respeito – cada um tinha complexo de culpa. Isto, em si mesmo, já é uma prova da existência de Deus. A consciência testifica, em alto e bom som, o fato de que há um Deus com o qual havemos de tratar.

A história da religião é formada pelos esforços feitos pelos homens para se livrarem deste sentimento de culpa. Esta é a explicação do chamado “desencargo de consciência”; o ladrão tenta se livrar dos sentimentos de culpa devolvendo o que roubou. É por isto que os católicos se confessam; querem desafogar a consciência. É a explicação dada também pelo comunismo. O comunista se livra do sentimento de culpa, se, e quando, se persuade a crer que não há Deus ao qual dará contas de si mesmo. O próprio fato do ateu ser contra a idéia de Deus indica que sua própria consciência o atormenta neste assunto. É por isso que existem tantas religiões pagãs; as pessoas tentam se livrar dos sentimentos de culpa. Mas também explica a fé do eleito de Deus. Ele confia em Cristo, a fim de ser aceito por Deus e livre da condenação.

A natureza humana é má. A Bíblia não tem uma só coisa boa a dizer sobre o homem, à parte da graça de Deus que opera no homem. A Bíblia diz que a mente carnal é inimizade contra Deus, e os que estão na carne não podem agradá-lO. Romanos 8:7-8. O homem, como pecador, está sem jeito. Ele tem que nascer de novo – deve haver uma nova criação. Donald F. Ackland afirma esta verdade de outra maneira, ao dizer que o pecado juntamente com a culpa criaram um vácuo no coração humano, que só Deus pode preencher, e que a história da religião é o meio como os homens tentam preencher este vazio, em vão!

Não vemos a natureza humana completamente desenvolvido em países onde os privilégios do Evangelho são desfrutados há muito tempo. Cristo disse que Seu povo devia ser o sal da terra. O sal preserva. O salvo deve preservar a sociedade humana da corrupção moral total. Muitos são, temporariamente, abençoados pelo Evangelho, mesmo sem serem salvos por ele. A humanidade assim se sente segura numa comunidade onde há pessoas crentes.

Quando Carey foi à Índia há 165 anos, encontrou seres humanos na condição de sub-desenvolvimento. Andrew Fuller nos diz o que Carey encontrou na Índia: religiões, através das quais os nativos tentavam se livrar dos seus sentimentos de culpa. Estas religiões consistiam, na maioria, no auto-flagelo. Um colocava a mão acima da cabeça e ficava tanto tempo assim, que não conseguia tirá-la mais, de tão enrijecida que ficava. Outro se deitava numa cama de pregos não tão pontiagudos, para que não o perfurasse, matando-o. Havia o que chamavam de adoração a Juggernaut. Um deus, esculpido em madeira maciça, era levado numa carruagem enorme seguida por uma multidão que gemia e gritava, e quem quisesse se jogava sob as rodas, para ser esmagado. Tal pessoa era considerada bem-aventurada. Outra parte da religião hindu era o costume da viúva ser queimada viva na pira funerária do marido morto. Era comum jogar-se bebês no rio, como oferenda aos deuses. O bebê que não mamasse era colocado numa cesta e pendurado nos galhos de uma árvore, a fim de ser devorado pelas formigas e aves de presa. Essa era a natureza humana – a mesma possuída pelo escritor e leitor deste estudo. Que Deus seja louvado pela graça que nos fez uma nova criatura em Cristo.

PRE-REQUESITOS PARA A SALVAÇÃO

Deve haver uma base para a salvação, senão Deus deixaria de ser justo ao perdoar o pecado. Não pode haver salvação ás custas da justiça. E não se pode oferecer justiça, à parte do castigo do pecado. Não existe o fracasso da justiça no tribunal celeste, pois cada pecado receberá uma justa recompensa. A justiça divina tem que ser aplacada e a lei de Deus tem que ser justificada no caso de cada pecador. Na morte de Jesus Cristo, o Filho eterno de Deus, há uma base justa para a salvação. O Justo – Jesus Cristo – morreu pelo injusto. Ele nos redimiu da maldição da lei, fazendo-Se maldição por nós. Ele Se tornou pecado por nós, para que pudéssemos ser feitos justiça de Deus, através da fé nEle. Cristo tirou a culpa do pecado, através do sacrifício de Si mesmo. Deus perdoa o pecador por amor a Cristo. Como nosso Penhor, Ele pagou a dívida do pecado até o último tostão. Como nosso Substituto, tomou nosso lugar sob a lei e morreu de um modo que O tornou maldição de Deus. Gênesis 33:13. Deuteronômio 21:23. Que preço terrível, a fim de nos comprar a salvação! Porém era o que a lei de Deus exigia e o único modo pelo qual podia ser justo e justificador daquele que crê em Jesus Cristo. Romanos 3:26. Hebreus 2:10. Cristo não podia ser o Salvador perfeito, sem sofrer as exigências da lei por Seu povo.

VÁRIOS ASPECTOS DA SALVAÇÃO

Já vimos nos artigos anteriores que o pecado causou uma destruição terrível na raça humana. Ele destruiu cada homem e cada parte do homem. As conseqüências do pecado são várias e há um aspecto da salvação para cada aspecto do pecado. Há uma palavra bíblica pela qual cada uma das várias partes ou aspectos da salvação é descrita. Se olharmos o pecador como morto em pecados, então regeneração ou novo nascimento é a palavra bíblica que denota a doação da vida. Se considerarmos o pecador como filho do diabo, então adoção é o termo que expressa o ato judicial pelo qual ele se torna filho de Deus. Se considerarmos o pecador do ponto de vista físico, como sendo mortal e possuindo nele os germes da morte, pelos quais será transformado num monte de pó, então a glorificação é o aspecto da salvação no qual o corpo será moldado de acordo com o corpo glorioso de Cristo. Se a pessoa perdida for considerada como estando num estado de depravação ou impureza moral, santificação é a obra que a torna santa e pura diante de Deus. Se pensarmos no pecador como num estado de trevas espirituais, incapaz de entender o Evangelho, então o chamado eficaz é o termo bíblico que expressa o ato de Deus iluminar ao pecador, de modo que ele possa ver ou entender que Cristo crucificado é a sabedoria e poder de Deus no plano da salvação. Se pensarmos no pecador como estando numa posição de condenação, amaldiçoado pela lei de Deus, a qual violou, então justificação fala da sua posição perfeita diante do trono de Deus. Se a salvação for abordada do ponto de vista do propósito eterno de Deus, segundo o qual Ele graciosamente salva os pecadores, então eleição e predestinação são os termos bíblicos que denotam a escolha e destino do povo de Deus.

OS TRÊS TEMPOS DA SALVAÇÃO

Alguns aspectos da salvação são instantâneos, ao passo que outros são progressivos. O livramento da culpa do pecado acontece no próprio instante da fé; o livramento da impureza do pecado é um processo longo, no qual o crente tanto sofre dor quanto tem prazer. Enquanto se entristece por causa do pecado que habita nele, o crente se regozija na esperança – a expectativa bem fundada – da glória de Deus. O crente se regozija em Cristo, não tem confiança nenhuma na carne, e sinceramente anseia ser perfeitamente aperfeiçoado. Sendo pobre de espírito, cônscio de sua falta de valor pessoal, ele espera que Deus aperfeiçoe aquilo que Lhe apraz. Ele acredita que Deus, Aquele que em vós começou a boa obra da graça nele, a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo. Filipenses 1:6. O crente é perfeitamente justificado – nenhuma acusação será colocada em sua conta – mas ainda não está glorificado, e só o será quando Cristo vier e ele for feito semelhante a Seu Salvador. É, positivamente, além da compreensão o que Deus preparou para aqueles que O amam. Que jamais esqueçamos que O amamos, porque Ele nos amou primeiro e nos livrou dos nossos pecados por Seu próprio sangue.

A SALVAÇÃO É PELA GRAÇA

A salvação é ela graça. Isto significa que é imerecida e também que não há obrigação divina nenhuma de salvar qualquer pecador. A salvação pela graça significa que não é dívida nem recompensa, mas é o dom gratuito de Deus. Deus podia ter deixado cada um de nós entregue ao próprio merecimento, que era perecer em nossos pecados. Foi amor por parte de Deus e não por parte do pecador o fator responsável pela salvação. “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”. Romanos 5:8. A salvação é, portanto, a obra graciosa e soberana de Deus. Todas as nossas virtudes são filhas de Sua graça e o fruto do Seu Espírito. Gálatas 5:22-23.

Da presciência na eternidade passada até a glorificação na eternidade futura, a salvação é toda pela graça. “Porque dantes os que conheceu também os predestinou para serem conformes à sua imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou”. Romanos 8:2-30. Deus considera tanto Seu Filho unigênito que Ele decidiu fazer todos os Seus filhos iguaizinhos a Ele. E não há mérito nem força humanos em qualquer estágio ou aspecto da salvação. Efésios 2:8-10.

Senhor, estava cego; não podia ver
Na Tua imagem desfigurada graça nenhuma;
Mas, agora, a beleza da Tua face
Em visão radiante enche minha alma.
Senhor, estava morto; não podia fazer
Minha alma sem vida ir a Ti;
Mas, agora, desde que me vivificaste,
Do sepulcro tenebroso do pecado saí.
Senhor, fizeste, o cego ver,
O surdo ouvir, o mudo falar,
O morto viver; e assim,
As correntes do pecado quebrar

— Matson (1833-1899)

Published inDefinição de doutrina – Volume 2

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